Como Helena já era uma cliente frequente, não precisava provar sua identidade. O dono confiava nela.
Com as ervas na mochila, ela saiu do mercado negro.
— Sai da frente! Não bloqueia meu caminho, seu mendigo imundo!
Um homem corpulento de repente chutou com força um mendigo que pedia esmolas na rua.
No país T, pedintes assim eram vistos por toda parte, especialmente em feiras de cidadezinhas.
Não satisfeito com o chute, o brutamonte chutou também a tigela do mendigo, jogando as moedas para longe.
O mendigo desabou no chão, chorando desesperadamente, mas parecia não conseguir emitir nenhuma palavra clara.
— Pare com isso! Ele não estava atrapalhando você. Por que humilhar alguém desse jeito? — Helena interveio.
— Quem é você? Não é daqui, né? Ousando se meter comigo... Você sabe quem eu sou?
— Não me interessa quem você é. Peça desculpas a ele e pague a tigela que quebrou!
— E se eu não quiser? O que você vai fazer... AAAAAH!!!
Antes que o homem pudesse terminar a ameaça, Helena agarrou o braço dele com uma força absurda, causando uma dor excruciante.
Se quisesse, ela poderia esmagar os ossos dele em um piscar de olhos.
Aquela força descomunal fez o homem suar frio.
Como uma garota magrela podia ser tão forte?
— Peça desculpas!
— Eu... eu peço! Desculpa! Me perdoa!
— Pague!
Tremendo, o homem tirou algumas notas de moeda local do bolso e jogou na frente do mendigo.
Só então Helena afrouxou o aperto, deixando-o fugir em pânico.
Ela juntou o dinheiro espalhado e colocou nas mãos trêmulas do mendigo.
— Pegue. Vá comprar algo bom para comer. — disse ela, com a voz suave.
Nesse momento, um gemido abafado veio não muito longe dali.
Helena olhou para o lado. Encolhidos em um canto escuro, havia outros pedintes. Todos tinham alguma deformidade severa.
Ou faltava um braço, ou uma perna. Eram visões de dar pena.

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