Mãos e pés haviam sido amputados. A língua fora arrancada. O nariz, decepado. Os olhos, arrancados das órbitas. O rosto fora marcado e desfigurado com ferro quente.
Uma tortura inumana. De uma crueldade avassaladora.
— Foi... foi a Iracema quem fez isso, não foi? — perguntou Helena, com a voz trêmula.
Bianca assentiu levemente com a cabeça.
Lágrimas escorreram pelo rosto de Helena mais uma vez, e ela as enxugou rapidamente.
— Eu sabia. Se eu imaginasse, nunca teria deixado ela morrer tão fácil. Ela deveria ter sentido o gosto disso também. — Helena sentiu um ódio profundo de si mesma por ter matado Iracema com um golpe tão rápido na época.
— Fique tranquila. A partir de agora, eu cuido de você. Ninguém mais vai te machucar! — Helena abraçou Bianca com força.
Essa era a amiga de sua vida inteira. E ela sentia que devia tudo a ela.
Lembrando-se de cada momento que viveram juntas, Helena suspirou, tomada pela dor.
Desde o início, quando não se suportavam, até se tornarem amigas, e, por fim, confidentes inseparáveis.
Bianca dissera uma vez que nunca amara ninguém na vida, exceto ela.
Brincava que, se na próxima vida fosse um homem, com certeza a conquistaria. Elas tinham prometido se encontrar na próxima vida!
Era uma garota tão orgulhosa... tão linda!
E agora havia sido reduzida a esse estado quebrado e sombrio.
O quanto ela devia ter sofrido durante esse ano jogada no país T?
E Helena esteve lá tantas vezes... e só agora descobrira a existência dela.
Talvez, em algum momento, tivessem até passado uma pela outra sem perceber.
Apenas pensar nisso enchia o coração de Helena de uma dor sem fim.
Para não traí-la, Bianca acabou com aquele destino. Tinha valido a pena?
Ela era tão idiota.
Nos dias seguintes, Helena levou Bianca de volta para a área rural.

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