— Você pode lidar com a vingança depois, por conta própria. Mas sem mortes.
— Além disso, eu tenho outra coisa para te perguntar.
— O que foi?
— Você e a Iracema... realmente foram para a cama?
— Eu... — Tomás engoliu em seco, claramente conflitado.
— Tomás, a Iracema é irmã de um velho amigo que já se foi. Ela é muito importante para mim.
— Eu sei o que ela sente por você e espero que você cuide bem dela.
— A mãe dela faleceu e agora ela está sozinha no mundo. Quando tiver tempo, preste mais atenção nela.
— A segurança e a vida dela estão nas suas mãos agora.
— Não me importa que tipo de relação vocês dois têm. O que importa é que você grave minhas palavras na cabeça: eu não quero vê-la machucada. Entendeu?
Tomás assentiu seriamente.
— Sim, chefe.
— Ótimo. Eu já vou indo. Cuide bem da Iracema. — Helena deu dois tapinhas no ombro de Tomás.
— Chefe... — chamou Tomás, de forma impulsiva.
Helena parou e se virou para ele.
— Tem mais alguma coisa que você queira me dizer?
Ela sentia que Tomás estava escondendo algo.
— Não... nada... é só que... eu vou sentir sua falta. — Ele hesitou por um momento, mas acabou recuando.
Esse segredo teria que ficar guardado no peito dele por mais um tempo.
— Certo. Até mais.
Enquanto observava Helena ir embora, um aperto sufocante tomou conta do coração de Tomás.
-
Naquela noite.
O vento às margens do rio soprava com força, carregando um frio cortante.
Helena estava sentada na grama, bebendo uma lata de cerveja.
O céu estrelado se refletia na água escura, criando pequenos pontos de luz que se assemelhavam a uma Via Láctea ao alcance de suas mãos.
Iran Alves se aproximou e parou ao lado dela.
— Chefe, o que houve? Bebendo sozinha para esquecer os problemas?

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