Ao ouvir que até mesmo Rui Silva havia ido parar no hospital, Sheila perdeu qualquer coragem de desafiar a mulher à sua frente.
Ela revirou armários e gavetas até encontrar a promissória assinada há cinco anos.
— Está... está tudo aqui. — gaguejou Sheila.
Helena pegou o papel e o mostrou a Iracema.
— É este?
— É sim.
Sem hesitar, Helena rasgou a promissória em dezenas de pedacinhos.
Logo depois, ela e Iracema foram embora.
Assim que entraram no carro, Iracema finalmente soltou um longo suspiro.
— Que sensação boa! Helena, minha tia passou anos humilhando a minha mãe. Foi tão bom dar o troco agora!
— É como eu sempre digo: com gente igual a sua tia, a única linguagem que funciona é a força. Tentar ser razoável não adianta.
Helena olhou para Iracema e, suavizando o tom de voz, disse:
— Iracema, de agora em diante, eu cuidarei de você. Mas ainda não te perguntei: o que está rolando entre você e o Tomás? Notei que vocês dois estão agindo de um jeito estranho.
— Não é... não é nada. — O olhar de Iracema desviou no mesmo instante, incapaz de encarar Helena.
— Pode me contar. Não precisamos ter segredos, não é?
— O Tomás me escuta. Se ele te fez alguma coisa, eu acabo com a raça dele.
— Não, ele não me fez nada. É que... nós... fomos para a cama.
Helena arregalou os olhos, chocada.
— Você disse que vocês transaram?
Iracema assentiu com a cabeça.
— Naquele dia, nós bebemos demais. Eu nem sei como aconteceu, simplesmente rolou.
— Eu sei que o Tomás não gosta de mim. E, como recebi uma ligação de casa logo depois, acabei indo embora.
— Helena, eu juro que não sabia que as coisas iam terminar assim... — Iracema começou a chorar enquanto falava.
Helena a puxou para um abraço confortador.
— Aconteceu, está feito. Pode deixar que eu vou ter uma conversinha com aquele garoto.


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