Mas ninguém jamais saberia disso.
Aquela era uma profissão que não podia ver a luz do sol, onde a vida pendia por um fio a cada segundo.
Para não trazer desgraça às suas famílias, eles escondiam todas as suas informações de forma rigorosa.
Por um bem maior, José Soares abandonou o próprio lar.
Aos olhos do mundo, ele poderia ser um filho ingrato, que não cumpriu com seus deveres e obrigações. Mas Helena sabia a verdade: ele era um herói com vontade de aço.
— Iran... você acha que um dia vamos voltar àquela vida? — indagou Helena.
— Talvez. — Iran também não tinha certeza.
Com a traição de Sirius e a morte do Quatro, as identidades deles no exterior haviam sido expostas.
Por isso, seus superiores deram ordens para que se retirassem temporariamente da organização.
Dada a situação atual, não lhes foi designada nenhuma nova missão.
Para todos os efeitos, eles haviam retornado definitivamente para a vida civil.
— Chefe, você está bêbada. — disse Iran, observando Helena ao seu lado.
Com as bochechas coradas, ela já estava deitada na grama.
Apesar de terem sido injetados com um composto desenvolvido pela própria Helena — que os impedia de ficarem embriagados, não importava o quanto bebessem —, quando o espírito se quebrava, o álcool encontrava um jeito de subir à cabeça.
As memórias sufocavam Helena de uma forma insuportável.
Como ela estava usando o álcool ativamente para se anestesiar, a embriaguez a atingiu.
— Chefe, vou te levar para casa!
Iran colocou Helena nas costas e deu apenas alguns passos quando Daniel apareceu à sua frente.
— Deixe-a comigo. — disse Daniel, com um tom neutro e frio.
Iran não contestou. Ele apenas a entregou.
Daniel a ajeitou em seus braços e caminhou para longe dali.
Ao chegarem no apartamento, Daniel cuidou dela, trocando-a e colocando-a suavemente na cama antes de cobri-la com o edredom.
No entanto, em vez de se deitar, ele foi para a varanda.
Ficou lá fora, sob a luz da lua, fumando em silêncio absoluto. Uma bituca após a outra até formar uma pequena pilha no chão.
Foi apenas por volta das duas da manhã que Daniel finalmente entrou.
Ele foi ao banheiro, lavou-se e deitou-se ao lado de Helena.
Passou o braço ao redor da cintura dela, deu um beijo leve em sua testa e adormeceu abraçado a ela.
No dia seguinte.
O sol invadiu o quarto, espalhando um brilho suave e nebuloso pelo chão.


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