A velha senhora percebeu que o telefone havia sido desligado e ficou com o rosto roxo de raiva.
— Vovó, o tio... o tio não ouve nem a senhora mais? — Perguntou Catarina, com cautela.
— Aquele ingrato! Agora ninguém o controla! Estou morrendo de raiva. — Ela tentou ligar de novo, mas o celular já estava desligado.
— Vovó, e... e agora? O que vamos fazer? — Perguntou Catarina, ansiosa.
— O que mais podemos fazer? Parece que terei que ir procurá-lo pessoalmente.
— Mãe, sua saúde não está boa. Deixe que eu vá procurar o irmão mais velho. Fique em casa e repouse. — Disse Ezequiel, o terceiro filho.
— Ah! Só você, Ezequiel, é que é filial e se preocupa com a saúde da mãe.
— Aquele mais velho, sem coração, ainda desligou na minha cara.
— Mãe, a senhora precisa ir. Se não for, a família do tio com certeza não nos dará ouvidos! — Disse Adelina Gomes, preocupada.
— Você tem razão. Parece que preciso ir pessoalmente.
— Alguém chame o motorista. Vamos atrás desse filho ingrato agora mesmo.
Assim, acompanhada pela família do segundo filho, a velha senhora partiu para a zona rural do norte.
Eles ainda achavam que Rafael morava na roça.
Afinal, eles eram tão pobres antes; mesmo trabalhando na fábrica depois, com aquele salário, não teriam condições de comprar uma casa.
Nos últimos dois anos, não ouviram falar que a família do mais velho tivesse comprado imóvel.
O carro atravessou a cidade e finalmente chegou à zona norte.
Passados dois anos, o local ainda não havia sido desapropriado.
Naquele momento, qualquer palavra poderia ser um erro.
Se não fosse pelo marido, Eduardo, ela também não gostaria de passar por aquele tormento.
A estrada de terra esburacada finalmente acabou, e o carro parou em frente a uma casa de fazenda.
— É... é aqui, irmão? — Catarina perguntou a Benedito, que dirigia.
— Eu não sei! Nunca vim aqui, mas só tem este vilarejo por perto!
— Lembro do papai comentar que era neste vilarejo, entrando pela hidrelétrica e seguindo a estrada até o fim. — Benedito coçou a cabeça.
— Perguntem para alguém! O que estão fazendo aí parados? — Disse a velha senhora, impaciente.
Sentia-se como se estivesse guiando um bando de tolos.

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