Catarina tinha o dom da palavra e, após alguns elogios à velha senhora, conseguiu convencê-la.
Enquanto isso, do lado de Rafael, o clima pesou após desligar o telefone.
Amanda trouxe uma bandeja de frutas.
— O que houve, Rafael?
— O pessoal da mansão me ligou agora há pouco.
— É por causa da empresa. Aconteceu outro problema.
— Ouvi dizer que meu irmão foi preso. Não sei bem a situação, mas querem que eu volte para gerenciar.
Ao ouvir isso, Amanda ficou imediatamente irritada.
— O plano deles é muito esperto, não é?
— Antes te expulsaram sem nenhuma consideração, e agora que deu problema, querem que você volte para assumir a culpa.
— É ultrajante. Onde já se viu isso?
— Eles ficam com os benefícios e nós com os riscos.
— Não seja tolo, Rafael. Nem pense em voltar!
Rafael segurou a mão de Amanda.
— Fique tranquila. Desta vez estou decidido. Não vou voltar.
— Se a empresa vive ou morre, não é mais problema meu.
— Ainda bem. Falando nisso, a família do seu irmão é bem azarada.
— Será que é castigo? Brigaram tanto pelo cargo de diretor e, assim que assumiram, tudo desmoronou.
— Esqueça eles. De qualquer forma, não nos falta dinheiro agora. Vamos viver a nossa vida em paz.
Enquanto conversavam, o celular de Rafael tocou novamente.
Desta vez, era a velha senhora.
— Alô, mãe.
— Rafael, você pode falar agora? A mãe precisa conversar com você.
— Posso, fale.
— É o seguinte: houve um incidente na fábrica de eletrônicos, você já deve saber.
— Seu irmão foi preso. A culpa não é totalmente dele, afinal, ele acabou de assumir.
— Antes era você quem gerenciava.
— Veja bem, você poderia voltar e resolver as coisas na empresa?
— Colabore com a polícia, ajude na investigação.
Rafael percebeu a intenção e sentiu um frio no coração.
— Mãe, a senhora quer dizer que eu devo assumir que sou o responsável pela fábrica?
— Quer que eu colabore com a polícia, vá para a cadeia e tire meu irmão de lá, é isso?
O rosto da velha senhora enrijeceu, e ela gaguejou.
— Não... não, Rafael, não é isso. Você entendeu errado.
— Eu só pedi para você voltar e resolver... salvar seu irmão...
— O que há de errado nisso? — Questionou a velha senhora, irritada.
Ela não esperava que Rafael ousasse recusar.
E muito menos que a questionasse com tantos argumentos.
— Eu sempre levei a sério essa história de ser como um pai para eles.
— Sempre tratei meus irmãos bem. Tudo o que era bom, eu cedia para eles.
— Eles queriam o patrimônio da família Gomes, eu cedi.
— Até me afastei da família há mais de dez anos.
— Do que mais vocês precisam?
— Cedi passo a passo e não recebi respeito em troca, apenas pedradas e perseguição.
— Naquela época, que vida meus irmãos levavam? E que vida nós levávamos na zona rural do norte?
— Mãe, a senhora realmente não sabe?
— Enfim, meu irmão não é uma criança.
— Quem quer a coroa, deve suportar o seu peso.
— Ele quis o cargo, eu cedi, mas ele precisa se garantir.
— Eu não vou voltar para cuidar dessa bagunça. Pode tirar o cavalinho da chuva!
Rafael terminou de falar, desligou o telefone e desligou o aparelho logo em seguida.
— Seu filho ingrato... você... você ousa desobedecer sua mãe...

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