— É bem possível — comentou Helena, a expressão séria. — Então, Tereza, você precisa redobrar o cuidado. Eles falharam dessa vez, mas podem tentar de novo.
Tereza Freitas soltou um suspiro e recostou-se na cadeira.
— Assumir a presidência do Grupo Freitas... definitivamente não é nada fácil. — murmurou, com um meio sorriso cansado.
Enquanto isso, Helena e Daniel Silveira seguiam para o hospital, para visitar Bento Gomes. Por coincidência, Bento estava internado na mesma clínica que Iran Alves. E foi lá que acabaram dando de cara com Tereza.
Assim que viu a amiga, Tereza brilhou de alegria.
— Amigaaaa! Você aqui também? Acho que estamos mesmo ligadas por pensamento! — exclamou, abraçando-a com entusiasmo.
Helena retribuiu o abraço, rindo.
— Ligadas talvez, mas eu pergunto: o que faz você aqui, dona de um hospital e tudo mais?
Tereza deu de ombros e contou o que havia acontecido, explicando o acidente e o fato de Iran estar ferido.
Helena arregalou os olhos, surpresa.
— Iran Alves, ferido? Vou vê-lo um instante.
Quando ela entrou no quarto, Iran abriu os olhos e ficou estático.
— Chefe… — começou a dizer, mas Helena fez um gesto para que se calasse.
— Ouvi dizer que se machucou protegendo a Tereza. Está bem? — perguntou, num tom afetuoso, mas firme.
— Nada demais, só uns arranhões. Já estava até pronto pra ir embora. — Iran sorriu, tentando parecer tranquilo.
Do lado de fora, Daniel pigarreou de propósito.
— Helena, vamos ver o Bento? — disse num tom suave, porém carregado de ciúme.
Helena conhecia bem esse tom. Daniel era um homem calmo, mas quando se tratava dela, o ciúme o dominava.
Por isso, ela trocou apenas mais algumas palavras com Iran e em seguida saiu do quarto.
Tereza, que os esperava no corredor, não resistiu em comentar:
— Olha, Helena, o Iran até que me surpreendeu. Achei que fosse um encrenqueiro sem jeito, mas... ele pode ser até bonzinho às vezes.
Helena arqueou uma sobrancelha.
— Viu só? O senhor Freitas não teria escolhido alguém à toa. Ele deve ter visto algo de bom nele. — disse, apertando de leve o braço da amiga.
Tereza fez um bico adorável.
— Bonzinho tudo bem, e eu sou grata pelo que ele fez. Mas casar com ele? Aí já é demais!
Helena riu.
— Tudo bem, pense com calma. Agora, preciso ver meu irmão.
Sim, o destino realmente podia ser imprevisível.
— Vamos entrar, mãe — ela disse, quebrando o clima.
Ao ver Helena e Daniel, Alice se levantou depressa.
— Vou ali lavar a louça da bandeja. Helena, Daniel, fiquem à vontade.
Helena assentiu com um sorriso.
— E aí, mano — disse Daniel, aproximando-se da cama. — Como está se sentindo?
Bento abriu um largo sorriso.
— Ei, cunhado! Nem acredito que você tirou tempo pra me visitar! Já tô melhor, viu? Quer que cante uma pra animar?
Antes que pudessem impedi-lo, começou a cantarolar, desafinado, todo empolgado:
— Make America Great Again... This is MAAAAGAAA...!
Daniel piscou, confuso, e ficou em silêncio por um instante.
Helena soltou uma gargalhada involuntária.
Até ferido, o irmão dela ainda era uma figura.

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