No evento de lançamento, após finalizar a apresentação corporativa da sua empresa, Melissa introduziu os parceiros da BeLa, convidando Beto Lacerda ao microfone.
A sala de transmissão on-line continuava abandonada, habitada apenas por um punhado de curiosos virtuais que entravam para checar e saíam no instante seguinte por falta de interesse.
No ambiente físico, o cenário era o mesmo.
A plateia resumia-se aos funcionários de Pâmela, à diretoria azeda da BeLa e à equipe técnica de Evaldo Braga, que estava ali para fins colaborativos.
O gigantesco salão alugado tinha menos de um quinto das poltronas preenchidas.
Era uma demonstração melancólica de solidão corporativa.
Sem público, faltava calor humano ao espaço.
Pâmela estava sentada na primeira fila com um sorriso nos lábios, observando Beto assumir a tribuna.
Quando as câmeras da live capturaram seu rosto, a ínfima parcela de espectadores paralisou ao dar de cara com aquela mulher que possuía uma beleza quase sobrenatural, ficando na expectativa de que a câmera focasse nela novamente.
Afinal, a internet quase nunca era abençoada com um rosto tão espetacular.
No palco, Beto ajustou o microfone e esboçou um sorriso antes de falar.
Gradativamente, ele se encaminhou para o clímax:
— Lembrar do passado é algo engraçado. Houve uma época em que eu era só o estereótipo do cara de camisa xadrez que passava os dias grudado no computador digitando códigos.
— Naqueles dias, embora não tivéssemos dinheiro no bolso, éramos livres e despojados como cachorros de rua.
— E se a BeLa não existisse, se não houvesse a mítica Mestra La, reverenciada em nosso setor, hoje eu provavelmente continuaria sendo apenas um ninguém digitando escondido.
— O meu grande drama sempre foi ser imensamente inferior à gigantesca e famosa Mestra La.
— No começo, o nosso time consistia apenas de mim e da La.
— Quando a BeLa foi criada, um investidor nos ajudou com capital, mas ele só assinava cheques e nunca aparecia.
— Então, alguém precisava sujar as mãos com a papelada e a gestão administrativa da empresa.
— Sem escolha, já que eu não possuo nem um terço do brilhantismo técnico da Mestra La, o trabalho duro acabou caindo no meu colo. Sejamos francos, até hoje, o La Algoritmo continua sendo um pilar inatingível da nossa indústria; todos vocês sabem que é impossível bater de frente com a genialidade dela.
— Ela regressou ao palco com sua mente genial pronta para o ataque. E hoje é o dia da sua mais nova e monumental façanha corporativa!
— Eis o Plano de Mobilidade Aérea!
Ao ouvir aquelas palavras, as poucas dezenas de pessoas no salão pararam de respirar.
Os funcionários da BeLa compreendiam o significado absoluto daquele nome.
O que Beto acabara de anunciar significava que o projeto lançado por aquela modesta empresa era, na verdade, liderado e chefiado pela Mestra La.
A verdadeira arquiteta do mundo digital, que ficara escondida em uma empresinha até aquele momento?
Todos os executivos descontentes da BeLa explodiram num frenesi mental. Eles haviam detestado o evento e a obrigação de perder o casamento chique do Grupo Gattas.
Mas agora, ouvindo as novidades da Mestra La, o arrependimento virou êxtase em questão de segundos. A possibilidade de encontrarem a divindade da internet em carne e osso os deixava febris.
O caos não tomou conta apenas dos visitantes. Os próprios funcionários de Pâmela, até então mantidos no escuro, não acreditavam no que ouviam.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Da prisão ao Topo: A Era dela na TI
Por favor. Poderiam desbloquear os capítulos gratuitos?Desde o dia 02/06...
Não terá atualização do capítulos gratuitos?...