No passado, ela não entendia que tipo de sensação era essa, afinal, ela era a pessoa em posição de submissão.
Foi só naquele dia em que usou um pouco do que havia aprendido em Ruan que ela finalmente compreendeu o sentimento.
Estar no topo, aquela sensação de olhar de cima e subjugar... Era realmente diferente.
Mas, agora, se ela quisesse o dinheiro, teria que abrir mão de toda e qualquer dignidade.
Depois de retirar até o último fio de tecido de seu corpo, despejaram uma solução desinfetante sobre ela.
Em seguida, foi coberta de espuma. Após ser esfregada de cima a baixo, o mordomo disse, com um olhar vazio e sem emoção:
— Srta. Salazar, já pode subir.
Menos de quinze minutos depois, os gritos de Roberta podiam ser ouvidos por toda a casa, reflexo de uma dor que ela não conseguia suportar em silêncio.
O processo todo durou mais de uma hora até que os sons cessassem.
Uma empregada entrou. Roberta levantou a cabeça e olhou para o próprio reflexo no espelho.
Seu rosto estava intacto, mas seu corpo estava coberto de marcas de chicote que pareciam prestes a sangrar.
Ela não esperava por isso. O velho estava mais caquético, porém ainda mais sádico do que antes.
E ainda possuía tanta força! Ela não sabia o que ele andava tomando para ter tamanho vigor.
— Srta. Salazar, aqui está o cheque que você pediu. O Sr. Tomas avisou que esta é a última vez.
— Você está velha e não vale mais tudo isso.
— Então, por favor, não volte mais aqui.
— Você conhece as regras do Sr. Tomas. Ele não gosta de mulheres da sua idade.
— Você já não tem nem os requisitos para continuar sendo um dos brinquedos dele.
— E o Sr. Tomas também disse que sua ambição está grande demais. Pediu para você tomar cuidado com as suas escolhas.
Dito isso, o mordomo jogou o cheque na frente dela.
Logo depois, a empregada jogou um conjunto de roupas limpas sobre ela.
Pelo visto, ele sabia do empréstimo com os agiotas e lhe deu exatamente o valor necessário para cobrir os juros daquele mês.
O seu tempo estava esgotando.
Conseguira folga por este mês, mas o próximo mês já seria o do seu casamento. Ela precisava arrumar o dinheiro de qualquer jeito.
Fossem os quinhentos milhões do dote ou o dinheiro que emprestou a Rosangela, ela absolutamente não podia se permitir cair de novo nesse tipo de humilhação.
Obrigando-se a caminhar, pegou um táxi de volta até onde deixara o seu carro, mas a dor em seu corpo era tão grande que a impedia de dirigir.
No entanto, naquele estado, não tinha coragem de pedir que alguém viesse buscá-la.
As marcas das agressões ficavam escondidas debaixo das roupas, mas qualquer um que visse o seu estado perceberia que algo grave havia acontecido.
Mas ela não podia relaxar ainda. Teve que reunir todas as suas energias para dirigir lentamente de volta à cidade.
Mais tarde, em frente ao hotel, entregou o cheque aos homens da agiotagem. Depois, comprou um pouco de antisséptico, pomada cicatrizante e um creme para manchas, antes de subir para o seu quarto.
Na verdade, ela já estava mais do que acostumada com o processo de cuidar daquele tipo de ferimento em si mesma!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Da prisão ao Topo: A Era dela na TI
Por favor. Poderiam desbloquear os capítulos gratuitos?Desde o dia 02/06...
Não terá atualização do capítulos gratuitos?...