Aquelas pessoas da família Barreiros não sentiam o menor pavor do desconhecido; em vez disso, transbordavam de expectativas infinitas.
Até acreditavam que, ao voltarem dessa viagem ao exterior, seriam pessoas completamente diferentes e superiores.
Sérgio olhou para Maria:
— Diga adeus aos seus pais e à sua família.
Maria olhou para sua mãe com certo receio, mas como Sérgio já havia dado a instrução, ela deu alguns passos à frente e parou diante de Sílvia.
— Tchau, mamãe. Tchau, papai. Tchau, vovô e vovó... Tchau, titia, titio...
Depois de se despedir de cada um, Maria voltou para o lado de Sérgio.
Sílvia não quis saber de mais nada e logo se aproximou de Sérgio para perguntar:
— Sr. Queiroz, sobre aquela mesada de vinte e cinco mil por mês da minha filha... Eu poderia lhe dar o número de uma conta bancária para você depositar direto lá?
Sérgio a achou completamente gananciosa e sentiu uma profunda aversão.
No entanto, ele não disse nada; afinal, não havia nada a ser dito.
Sorriu levemente, querendo evitar problemas:
— Tudo bem.
Sílvia lhe entregou um pedaço de papel com os dados da conta que já havia preparado. O que ela não sabia era que, devido a atividades criminosas, todas as suas contas já haviam sido bloqueadas.
Em breve, os celulares que carregavam ficariam totalmente sem sinal em alto-mar.
E quando finalmente desembarcassem, sem um chip local ou internet, aqueles aparelhos seriam completamente inúteis.
Sérgio pegou o papel com a conta, segurou a mão de Maria, desceu do navio e embarcou na lancha ancorada ali perto.
Já na lancha, ele viu que a família Barreiros ainda olhava em sua direção.
Ele abriu um sorriso e acenou.
Após ele e Maria vestirem os coletes salva-vidas, a lancha partiu.
Pâmela abaixou os binóculos. O equipamento que usavam possuía visão noturna de alta potência, permitindo uma visão perfeitamente clara.
Era certo que, mesmo não podendo ouvir a conversa lá longe, Susana havia visto tudo.
O olhar de Susana estava fixo naquela lancha.
Sérgio estava trazendo Maria. E essa menina, talvez, fosse a última e minúscula esperança da família Barreiros.
De repente, ela levantou a mão e acenou na direção do navio.
Adeus!
Nunca mais nos veremos nesta vida.
A dívida que tinha pelo dom da vida estava quitada.
Daqui em diante, ela viveria a sua própria vida.
Nunca mais precisaria ser perseguida, agredida ou chantageada por eles exigindo retribuição. Seu dever de gratidão se encerrava naquele exato instante.
Pâmela a observou e lhe entregou um lenço de papel.
Susana pegou o lenço, mas não enxugou as lágrimas. Olhando para o navio que ligava os motores, os cantos de sua boca começaram a se erguer até formarem um leve sorriso.
Nesse momento, Sérgio e Maria, que vieram de lancha, também subiram a bordo do navio onde elas estavam.
Pâmela avisou:
— Veja, eles chegaram.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Da prisão ao Topo: A Era dela na TI
Por favor. Poderiam desbloquear os capítulos gratuitos?Desde o dia 02/06...
Não terá atualização do capítulos gratuitos?...