Sérgio havia acabado de acalmá-los e estava prestes a sair quando, de repente, Maria correu e agarrou sua perna.
— Senhor, senhor, pode me levar para ver a tia Roberta? Eu sinto muita falta dela. Mamãe me disse que eu a veria quando chegasse, e também disse que a tia Roberta poderia me colocar na escola, para eu estudar igual ao meu irmão.
Antes que ela pudesse terminar de falar, Maria foi puxada bruscamente por sua mãe.
Sílvia deu um sorriso bajulador para Sérgio.
— Sr. Queiroz, não leve a mal. Criança da roça não tem modos e é muito irritante. Pode ir cuidar dos seus afazeres.
Dito isso, ela arrastou Maria com força e começou a xingá-la:
— Sua inútil, desperdício de dinheiro! Estudar pra quê? Se você for estudar, quem vai nos dar esses vinte e cinco mil reais por mês?
— Fique quietinha aqui e trate de ganhar dinheiro para nós.
— São vinte e cinco mil! Se eu te vendesse, você não valeria nem vinte e cinco mil.
— Que inútil sem noção! Se eu soubesse, não teria te criado.
Sérgio ouviu aqueles insultos em choque. Entre as novas gerações da família Barreiros, era raro haver uma criança que quisesse estudar, mas, surpreendentemente, isso não era permitido.
O importante era apenas garantir o dinheiro todos os meses.
Vender não valeria nem vinte e cinco mil? Isso significava que eles já tinham tentado vendê-la ou algo assim?
— Sua imprestável...
Sílvia continuava xingando. Sérgio não quis se intrometer nos assuntos daquela família naquele momento.
Menos problemas, melhor. Dizer algo ali poderia afetar o plano de Pâmela, e não valia a pena.
Ele simplesmente foi embora, e as vozes foram ficando cada vez mais distantes.
Depois de ser xingada até chorar, Maria sofreu a ira do resto da família.
Eles a chamaram de ingrata, dizendo que ela tinha o que comer e beber, mas ainda reclamava. Tinham uma vida tão boa agora, com vinte e cinco mil reais de pensão mensal no futuro, e ela ainda choramingava.
Mas Sérgio já não ouvia essas palavras.
Susana respondeu com um tom de tristeza:
— Sim, outra Maria explorada. Ela tem esse nome porque era o meu antigo nome.
— Eles acham que, como eu 'venci' na vida, meu nome atrai sorte, então queriam que ela herdasse essa sorte.
— Maria não consegue entender que não há sorte alguma nisso. Não é sorte, é uma maldição, uma corrente.
— Maria é como eu, ou talvez até mais digna de pena.
— Pelo menos, eu tive a sorte de viver em uma época em que fui escolhida para receber uma bolsa de estudos. Só assim tive a chance de ir para a escola.
— Somente com a minha ida à escola a família poderia receber alguns subsídios.
— Caso contrário, eles nunca teriam me deixado estudar.
— Mas com a Maria é diferente. Ela não teve a mesma oportunidade, então estudar é algo impossível para ela.
— Porém, a minha família percebeu os benefícios dos estudos. Eu me formei, ganhei dinheiro, e o dinheiro que ganhei pôde sustentá-los e ajudá-los.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Da prisão ao Topo: A Era dela na TI
Por favor. Poderiam desbloquear os capítulos gratuitos?Desde o dia 02/06...
Não terá atualização do capítulos gratuitos?...