Com essa proposta, o circo estava armado.
Pâmela não tinha a menor pressa, e até desligou o megafone.
O seu dia de testes de carga com o drone já havia sido completamente arruinado.
Já que era assim, ela tinha a agenda livre para o resto do dia.
Se eles tiveram a audácia de destruir o projeto mais importante dela, como ela poderia deixá-los sair impunes?
Além do mais, eles incendiaram o carro de Beto, destruindo equipamentos caríssimos e modelos de teste. A única coisa que Pâmela queria agora era ver aquele grupo unido se despedaçar com as próprias mãos.
E foi tiro e queda. Pessoas capazes de extorquir a própria filha não teriam qualquer escrúpulo ou humanidade com parentes distantes.
Eram quinhentos mil reais vivos na frente deles. Inicialmente, a família direta garantiria seus vinte e cinco mil todo mês. Não era pouca coisa; com essa renda mensal, poderiam viver feito reis pelo resto da vida.
Era o sonho que sempre almejaram!
Mas, se tivessem que dividir a grana com os primos, tios e agregados, o valor cairia drasticamente para uns cinco a dez mil reais por cabeça.
O que se faz com apenas cinco mil hoje em dia? O padrão de vida luxuoso que imaginavam já não seria o mesmo.
Foi então que o bate-boca começou.
A facção dos pais de Susana atacou:
— A filha é nossa! Agora que ela subiu na vida, o dinheiro tem que sustentar a nossa casa primeiro!
— Isso mesmo! A minha irmã já ajudou muito vocês no passado, não venham querer se aproveitar da situação.
Os parentes distantes não deixaram barato:
— Da última vez que vocês vieram para a capital, voltaram com o rabo entre as pernas! Aí imploraram para a gente vir fazer número e engrossar o coro. Agora que conseguiram a grana, querem dar um chute na nossa bunda?
— Pode destruir alguém, primeiro você deve inflar o ego dessa pessoa! Nós também temos direito a essa mesada.
— Exatamente! Nós também queremos dinheiro, seja cinco ou dez mil, não vamos sair daqui de mãos abanando.
Lá embaixo, os empurrões começaram. Pâmela observava tudo de sua cadeira e, nos momentos cruciais, erguia o megafone para botar lenha na fogueira:
— Ei, ei, ei! Aquela de blusa rosa! Ela puxou seu cabelo e te deu três tapas na cara, e você só devolveu um? Vai sair no prejuízo, é?
— Ei. O cara na sua frente acabou de te dar dois chutes na canela, não vai chutar de volta?
Os comentários de Pâmela deixaram os funcionários que assistiam embasbacados.
Mas ela não via problema algum; continuava assistindo ao show e narrando a briga como uma comentarista esportiva.
Igor estava até ficando empolgado; afinal, aquele era o tipo de bagunça que ele mais gostava.
A vontade dele era arrancar o megafone das mãos dela e participar da brincadeira.
Pâmela notou a ansiedade do rapaz e simplesmente estendeu o megafone para ele:
— Quer brincar? Pega aí.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Da prisão ao Topo: A Era dela na TI
Por favor. Poderiam desbloquear os capítulos gratuitos?Desde o dia 02/06...
Não terá atualização do capítulos gratuitos?...