Havia muito tempo Gonçalo não perdia a paciência com Sandro daquele jeito; nos últimos dias, ele nem se dava ao trabalho de prestar atenção no filho.
Deixava que ele resolvesse a própria bagunça. Afinal, o rapaz não era burro; mais cedo ou mais tarde, acabaria quebrando a cara e aprendendo a lição.
O problema era a falta de visão e de discernimento, o que tornava inevitáveis aqueles tropeços.
O pior é que, por mais que eles aconselhassem como pais e como mais velhos, nada adiantava. Só lhes restava lavar as mãos.
Gonçalo já estava calejado das besteiras do filho. Daquele ponto em diante, só queria esperar que ele sofresse as consequências para aprender sozinho.
Mas, contra todas as expectativas, acabou se enfurecendo por causa de uma simples ligação.
O que mais o irritava era ver que, até aquele momento, Sandro não demonstrava o menor remorso em relação a Pâmela.
— Pai, se eu não concordar que ela leve o dote dela, no futuro não vão dizer que eu me apropriei dos bens dela? Mesmo que eu aguente essa culpa, a família Gattas pode carregar essa mancha?
— Você ainda tem a cara de pau de falar da reputação da família Gattas? — esbravejou Gonçalo. — Qual das atitudes que você tomou até agora nos trouxe algum orgulho?
Sandro aceitou a bronca sem se dar ao trabalho de explicar. Nada do que dissesse adiantaria; de qualquer forma, Gonçalo sempre o via com desprezo.
Vendo que o marido ainda segurava o telefone, Talita se apressou em pegá-lo. Não ficava bem deixar Pâmela esperando na linha enquanto pai e filho discutiam.
— Chega, parem de brigar vocês dois — disse ela, antes de voltar-se para o aparelho. — Pâmela, querida, ainda está aí?
— Sim, senhora, estou ouvindo — respondeu Pâmela.
— Ótimo, minha filha. Estaremos lá no horário combinado.
— Obrigada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Da prisão ao Topo: A Era dela na TI
Por favor. Poderiam desbloquear os capítulos gratuitos?Desde o dia 02/06...
Não terá atualização do capítulos gratuitos?...