Beto não era seu aluno, o que explicava por que ele não o mencionou como tal na época.
O destino era um tanto curioso de fato.
Evaldo interveio.
— Tio Rafael, combinamos de jantar. Por que começou a dar sermão de novo?
Rafael olhou para Evaldo e suspirou.
Todos os presentes hoje eram um bando de intocáveis.
— Chega. Vamos comer.
Além dos pratos já encomendados, Rafael pediu pessoalmente mais alguns ao garçom, todos pratos que ele lembrava que Pâmela gostava.
Apesar de não estar psicologicamente preparada para encontrar o professor em circunstâncias tão inesperadas, o jantar transcorreu de forma agradável e harmoniosa.
Durante a refeição, Beto bebeu com Rafael.
Quando já estavam um pouco alegres, Rafael elogiou Pâmela.
— Você esteve fora por alguns anos, e durante todo esse tempo, nunca encontrei um aluno com uma capacidade superior à sua.
— Como não conseguia encontrar alunos que me agradassem, decidi me aposentar.
— De qualquer forma, o governo tinha muitos projetos grandes que precisavam de supervisão, então fui cuidar deles.
Beto acrescentou.
— Professor Belmonte, por favor, dedique mais atenção ao nosso projeto. E quanto aos subsídios do governo... embora nosso Sr. Braga não precise de dinheiro, isso ainda é uma honra, não é?
Rafael respondeu.
— Seu espertinho, ainda quer que eu seja parcial? Vou te dizer uma coisa: se a sua capacidade e a de Pâmela diminuírem e não atingirem o nível de antes, mesmo que o que vocês produzam seja melhor do que o de outros no setor, eu jamais os escolheria.
Pâmela concordou.
— É o justo.
Ela não podia beber álcool.
Ver o professor, já um pouco embriagado, ainda depositar tanta esperança nela, aqueceu seu coração.
Beto ficou aflito.
— Pâmela, o professor é incrível, mas eu também sou seu sócio. Você não pode ficar só do lado dele.
Pâmela respondeu.
— Nós já estávamos à frente dos outros. Se o que produzimos agora for apenas comparável ao nível deles, isso significa que regredimos. Que moral teríamos para pedir o favoritismo do professor?
Evaldo ergueu um copo de suco e brindou levemente com o de Pâmela.
— Tenho certeza de que vocês criarão o melhor produto.
Pâmela disse.
— Depois de tantos anos, eu mesma não sei como estou, se consigo acompanhar essa nova geração de jovens talentos.
Evaldo a encorajou.
— Você consegue. Embora eu não entenda muito, vi que hoje você escreveu a atualização do algoritmo com muita fluidez...
Antes que ele terminasse de falar, Rafael e Beto, do outro lado, pareceram subitamente sóbrios.
Os olhos de Beto brilharam de expectativa.
— Pâmela, você disse que estava trabalhando de casa... estava atualizando o La Algoritmo?
Rafael perguntou.
— Pâmela, você realmente atualizou o algoritmo pessoalmente?
Nos anos em que Pâmela esteve ausente, a BeLa gastou fortunas em manutenção, mas nunca ousou fazer uma atualização.
Isso porque eles não conseguiam encontrá-la e não tinham acesso ao código-fonte em suas mãos.
Se uma atualização desse problema, o sistema ficaria inutilizável imediatamente.
Portanto, nos últimos anos, o algoritmo só recebeu manutenção, sem atualizações.
Embora o poder de processamento fosse suficiente, ainda era difícil avançar.
Pâmela olhou para Evaldo.


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