Roberta não respondeu, apenas baixou a voz.
— O Professor Belmonte está saindo.
A palestra estava prestes a começar, e o rapaz precisava voltar ao trabalho.
Havia muitas pessoas no local.
Ao lado de Sandro, seu assistente sussurrou.
— Não vi o Sr. Lacerda da BeLa. Será que ele não conseguiu um ingresso?
Roberta também notou e trocou um olhar com Sandro, pedindo para que ficassem atentos.
Na opinião deles, era improvável que Beto não conseguisse um ingresso, e também era improvável que não se interessasse pelo Professor Belmonte.
O mais provável era que algum imprevisto o tivesse prendido, impedindo-o de vir.
No palco, Rafael já tinha metade dos cabelos brancos.
Aos setenta e poucos anos, sua postura esguia e alta ainda era ereta, como um pinheiro altivo.
Sob sua testa larga e cheia, olhos profundos se escondiam atrás de óculos de armação preta.
Um simples olhar parecia conter um conhecimento infinito.
Sua palestra era frequentemente interrompida por aplausos.
Quando a palestra estava quase no fim, Sandro inclinou a cabeça ligeiramente e disse a Roberta.
— O jantar já está arranjado.
Roberta respondeu.
— Vou tentar.
Ela pegou o celular e enviou uma mensagem ao seu colega mais novo, pedindo ajuda.
—
Na Villa Bella Vista.
O pedido de socorro de Beto chegou novamente por telefone.
— Pâmela, por favor, aquele velho é seu professor. Se você não aparecer, como eu vou ter coragem de jantar com ele esta noite?
Pâmela respondeu.
— O professor valoriza o talento, ele não vai te repreender de verdade. À noite, beba umas com ele, e o adule um pouco por mim.
Ao pensar no velhinho, Pâmela sentiu um calor no coração.
Ela era uma idiota.
Há alguns anos, por causa de um homem como Sandro, ela havia decepcionado as expectativas de tantas pessoas.
Beto suspirou do outro lado da linha.
— Esquece, não consigo te convencer. Apenas espere o dia em que encontrar o velho e enfrente a fúria dele sozinha.
O telefone desligou, e Pâmela voltou ao trabalho, até que Evaldo bateu à porta.
— Sra. Castro, por mais ocupada que esteja com o trabalho, não se esqueça que você ainda é uma paciente. Lembre-se de se levantar e caminhar um pouco, de se movimentar.
Pâmela respondeu.
— Já sei, já sei.
— Não preparamos o jantar em casa esta noite. Venha comer fora comigo.
Pâmela hesitou.
— Mas ainda tenho um pouco de trabalho aqui. Que tal pedir para a cozinha preparar algo simples, ou eu mesma posso fazer algo rápido.
Evaldo insistiu.
— Você já trabalha tanto, e ainda é uma paciente. Já não tem comida de hospital, como pode se maltratar assim? Vamos, você trabalhou o dia todo. Pense nisso como um descanso.
Pâmela olhou para o trabalho em suas mãos.
Ela apertou a tecla Enter e confirmou.
O computador exibiu uma página de carregamento, com tempo estimado de três horas.
Ela se levantou.
— Tudo bem. Três horas. Jantar, uma caminhada... deve ser o suficiente.
Evaldo perguntou.
— Sair para jantar e ainda ficar de olho no relógio?
Pâmela explicou.

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