Nicolau Cruz começou a ter febre quando o dia estava amanhecendo.
Veio de forma feroz e imparável.
Naquele momento, ele franzia a testa de dor, sua respiração era rápida e quente, e seus lábios estavam rachados.
Seu corpo inteiro estava tão quente que parecia prestes a entrar em combustão.
Maria Gomes ergueu as duas mãos; seus pulsos ainda estavam algemados, com as algemas conectadas por três anéis de ferro no meio.
Embora a distância fosse curta, era o suficiente!
Determinada, ela agiu!
Ela se livrou do braço de Nicolau Cruz que a prendia.
Os cílios de Nicolau Cruz tremeram; ele queria abrir os olhos, mas suas pálpebras pareciam pesar uma tonelada.
E nesse breve instante, Maria Gomes deu uma cambalhota ágil e montou sobre o corpo de Nicolau Cruz.
Maria Gomes inevitavelmente tocou nos ferimentos de Nicolau Cruz, e a dor o atacou.
Nicolau Cruz finalmente abriu os olhos.
Mas o que o recebeu foram as algemas de Maria Gomes.
Maria Gomes pressionou o corpo para baixo, e as algemas estrangularam diretamente o pescoço de Nicolau Cruz.
Seu olhar era gelado, sem qualquer temperatura, afiado e resoluto.
Mesmo que as algemas arrancassem a pele de seus pulsos e o sangue escorresse.
Mesmo que as algemas cortassem sua carne e raspassem em seus ossos.
Ela não hesitou nem por um milésimo de segundo, sua expressão não mudou nem um pouco; ela parecia não sentir dor enquanto cerrava os dentes e aplicava força mortal.
Porque aquela dor lancinante não era nem um décimo de milésimo da dor em seu coração.
Ela queria estrangular Nicolau Cruz até a morte!
Nicolau Cruz, como um peixe fora d'água, abriu a boca em agonia, emitindo sons de sufocamento.
Seu rosto e pescoço ficaram vermelhos devido à falta de ar, e seus olhos saltaram, injetados de sangue.
Nicolau Cruz agarrou os braços de Maria Gomes com força, tentando tirá-la de cima dele.
Maria Gomes pressionou desesperadamente o corpo contra ele, usando as duas mãos para apertar as algemas.
Quanto mais Nicolau Cruz puxava, mais força Maria Gomes usava.
Nicolau Cruz estava com tanta dor que seus olhos reviraram, ficando brancos e extremamente injetados de sangue, uma visão aterrorizante.
Ele tratou o ferimento no pescoço de Nicolau Cruz, colocou-o no soro e sentou-se ao lado, dizendo:
— Chefe, por que você insiste em procurar sofrimento? Para que manter uma mulher tão cruel? Por que não procura alguém que te ame, que seja obediente e dócil?
Nicolau Cruz não conseguia falar.
Mas ele respondeu em seu coração: você não entende nada.
Era como domar um cavalo selvagem ou um falcão.
A graça estava justamente no processo de domesticação e conquista.
Se ele quisesse alguém obediente, bastava um aceno e haveria uma fila de mulheres se jogando em seus braços.
Mas qual seria a graça disso?
Ele gostava do duelo de inteligência e crueldade, um confronto entre iguais.
A vida precisava de estímulo.
O médico pareceu entender o que Nicolau Cruz pensava e disse:
— Chefe, tenho medo de que você acabe perdendo o jogo e morra nas mãos dela. Se isso acontecer, quem herdará sua fortuna bilionária?

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