Comer bem era a única forma de se recuperar rápido.
Só de barriga cheia ela teria forças para matar Nicolau Cruz.
Maria Gomes transformou sua dor e indignação em apetite.
Mesmo que não quisesse comer, mesmo sem nenhum apetite.
— Tão faminta? — Nicolau Cruz arqueou a sobrancelha.
Maria Gomes o ignorou e continuou a comer.
Nicolau Cruz tomava seu café, sem pressa.
— Vá devagar. Se morrer engasgada, de quem será a culpa?
Maria Gomes respondeu com frieza:
— Não se fala à mesa. Cale a boca.
Na verdade, ela não queria ouvir a voz de Nicolau Cruz.
Mas se dissesse isso claramente, aquele canalha do Nicolau Cruz certamente faria o oposto só para provocá-la.
Embora a febre tivesse baixado temporariamente, sua cabeça ainda doía terrivelmente.
Ao ouvir a voz dele, a dor aumentava.
— Você ainda se importa com essas regras? — Perguntou Nicolau Cruz, mas acabou ficando em silêncio.
Maria Gomes terminou a maior parte da comida, que tinha gosto de cera em sua boca.
Ela apertou as mãos discretamente.
Apertou e soltou, apertou e soltou, várias vezes.
Parecia que suas forças haviam retornado um pouco.
Nicolau Cruz perguntou a Maria Gomes:
— Neves está no porão. Quer vê-lo? Você pode matá-lo com suas próprias mãos.
— Neves? — Perguntou Maria Gomes.
— O líder dos sequestradores. — Explicou Nicolau Cruz.
Maria Gomes olhou para Nicolau Cruz sem demonstrar emoção.
Seria Nicolau Cruz tão bondoso a ponto de deixá-la agir pessoalmente?
Ela não acreditava.
— Não vou. — Disse Maria Gomes com indiferença.
— Não vai? — Nicolau Cruz ergueu a sobrancelha, surpreso. Aquilo estava fora de suas previsões.
— Por que não?
Porque Maria Gomes adivinhou que Nicolau Cruz certamente imporia condições.
E era exatamente isso que Nicolau Cruz planejava.
Ele pensou que Maria Gomes concordaria imediatamente ao ouvir o nome de Neves.
Afinal, com base em suas observações, ele descobriu que ela era extremamente tolerante.
Mas até que ponto?
Quem não a conhecia pensaria que ela era covarde, fraca.
Mas ela apenas sabia esperar.
Ela não só sabia esperar, como era extremamente vingativa e calculista.
Maria Gomes não quis ir, mas a teimosia de Nicolau Cruz falou mais alto; ele insistiu em levá-la.
Maria Gomes lutou e resistiu violentamente.
Então, usando sua doença e o fato de seu corpo ainda não estar recuperado, ela perdeu a batalha de forma lógica e natural.
E entrou no porão da mansão, como desejava.
O porão estava impregnado com um forte cheiro de sangue.
Neves já havia sido espancado até não restar um pedaço de pele intacta.
Coberto de sangue, ele estava deitado no chão, como um cão moribundo.
Quando partiram para a floresta primitiva, Nicolau Cruz havia dito a Belarmino Nunes:
Não importava onde, não importava o custo, ele deveria encontrar a pessoa e trazê-la de volta.
A mulher que ele escolheu, ninguém poderia intimidar, exceto ele mesmo.
Os subordinados trouxeram um sofá.
Nicolau Cruz colocou Maria Gomes no sofá e perguntou:
— Tem certeza de que não quer fazer isso sozinha?
— Você está me implorando?
Nicolau Cruz riu.
— Você ficou louca? A febre queimou seu cérebro? Eu implorando a você? O que está pensando?
Maria Gomes ergueu a cabeça e o olhou friamente.
— Se não vai implorar, cale a boca.

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