— Você trouxe o kit médico? — Perguntou Caio Soares.
Ivan Cardoso largou sua mochila e tirou o kit médico de dentro.
Caio Soares estendeu a mão para pegar, mas Ivan Cardoso segurou firme, sem soltar; os dois puxaram para lá e para cá inúmeras vezes.
Caio Soares ergueu uma sobrancelha:
— Solta.
Ivan Cardoso sentiu que havia um duplo sentido nas palavras de Caio Soares.
Mas o que Ivan Cardoso podia fazer com sua falta de resignação?
Eles se beijaram na frente dele.
Maria Gomes já havia sofrido por amor e não era alguém que entregava seus sentimentos facilmente.
E uma vez que ela fazia uma escolha, não mudava.
Antes ele podia enganar a si mesmo, achando que ainda tinha uma chance.
Mas agora, naquele momento, ele sabia que não tinha mais chance.
Caio Soares pegou o kit médico, abriu-o e encontrou agulha e linha para sutura.
— Maria, vamos suturar a ferida primeiro.
O ferimento era grande e profundo; sem sutura, seria difícil cicatrizar.
Mas eles não tinham ferramentas de sutura antes, então só podiam aplicar ervas.
Caio Soares limpou a ferida de Maria Gomes, desinfetou e começou a costurar.
As forças especiais aprendiam muitas coisas, e o tratamento de emergência e sutura de feridas eram o básico.
A técnica de Caio Soares era profissional, suas mãos firmes e rápidas, mas seu coração tremia.
Antigamente, ele olhava para isso sem emoção, vendo apenas um pedaço de carne.
Mesmo quando era com ele mesmo.
Frequentemente provocado pelos colegas: coração frio, coração de pedra.
Mas agora, seus olhos estavam cheios de dor.
Ao lado, a expressão de Ivan Cardoso também não era boa.
— Você é um inútil, Caio Soares? Como você não se feriu? Olhe para a profundidade desse corte!
Caio Soares não contestou.
Ele já estava cheio de culpa e remorso.
Maria Gomes sorriu e disse:
— A culpa não é do Caio.
— Como não é culpa dele?! — Rugiu Ivan Cardoso.
Ele estava com raiva de Caio Soares por não ter cuidado bem de Maria Gomes, e também com raiva de Caio Soares por ter roubado Maria Gomes.
Nicolau Cruz, tendo terminado de tratar seu ferimento, aproximou-se e disse com desdém:
— Inútil.
Seu ferimento havia levado mais de dez pontos, mas ao caminhar não se notava nada, como se ele estivesse intacto.
— Maria Gomes, você gosta desse tipo de homem inútil? — Nicolau Cruz olhou de soslaio, com desprezo, para Caio Soares.
Quando ele estava na Cidade R, Caio Soares já tinha ido para a Cidade I.
Portanto, era a primeira vez que Nicolau Cruz via seu rival, Caio Soares.
Maria Gomes respondeu friamente:
Maria Gomes o ignorou e começou a conversar com Ivan Cardoso, trocando informações.
Após a troca de informações, Ivan Cardoso olhou novamente para o ferimento no braço dela e perguntou:
— Como você se machucou?
— Um urso-negro.
A respiração de Ivan Cardoso falhou; ele sabia bem a força de combate de um urso-negro.
A dor em seus olhos não era menor que a de Caio Soares.
Maria Gomes não ousou olhar nos olhos dele e desviou o olhar.
— Obrigada por vir me procurar, Ivan Cardoso.
— É o dever de um militar, não precisa me agradecer.
Embora ele dissesse isso, entre tantos militares, foi Ivan Cardoso quem veio.
Ivan Cardoso veio por ela.
Ela sabia.
Mas não podia retribuir o que ele desejava.
Ela sentia muita culpa, mesmo que tivesse sido vontade própria de Ivan Cardoso.
Pois ela era a beneficiária.
Maria Gomes disse eufemisticamente:
— Ainda assim, preciso agradecer, Ivan Cardoso. Ter você como amigo é uma sorte minha.
Ivan Cardoso baixou os olhos com um sorriso amargo e impotente; ele não queria ser apenas amigo dela.

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