Fritos com a banha de javali refinada, o aroma era inebriante e o sabor, delicioso.
Ainda sobrava um pouco de tendão de javali. Caio Soares procurou uma forquilha de árvore, planejando fazer um estilingue simples.
Sem couro para fazer a bolsa, ele cortou um pequeno pedaço de tecido para substituí-lo.
Com o estilingue pronto, ele o entregou a Maria Gomes:
— Maria, experimente.
A potência do estilingue não era inferior à do arco e flecha. Além disso, era pequeno e prático, excelente tanto para defesa quanto para caça.
Maria Gomes gostou muito da ferramenta.
Ela se abaixou, pegou uma pequena pedra, envolveu-a no tecido e puxou o elástico, mirando em um pássaro pousado no galho de uma grande árvore.
Mirou e disparou.
"Zunido". O som de algo cortando o vento ecoou.
— Pá!
A pedra acertou o tronco da árvore, assustando o pássaro, que bateu as asas e voou para longe.
Caio Soares imediatamente lhe entregou uma segunda pedra.
Maria Gomes sorriu para ele, pegou a pedra e mirou novamente.
Desta vez, ela escolheu uma folha como alvo.
— Pá!
Errou.
Mas, diagonalmente à frente, um chapim caiu.
Maria Gomes ficou confusa.
Caio Soares já tinha corrido até lá.
Ele pegou o chapim ferido e gritou sorrindo:
— Maria, boa técnica! Acertou.
Maria Gomes ficou sem palavras.
Mas ela tinha mirado na folha.
Quem diria que acabaria derrubando um chapim?
O chapim era do tamanho da palma da mão; depois de depenado, ficaria ainda menor.
Mas, de qualquer forma, era carne. E fora ela quem caçara, mesmo que por acidente.
Enquanto Caio Soares limpava o chapim, Maria Gomes continuou praticando ao lado.
Passados alguns minutos, ela já dominava o básico e sua técnica melhorava cada vez mais.
Caio Soares terminou de limpar o pássaro e Maria Gomes ficou encarregada de levá-lo para assar na caverna.
Caio Soares, então, testou seu arco e flecha.
Como as penas da cauda foram amarradas com fios desfiados de cadarços, a fabricação não era refinada o suficiente.
Isso fazia com que a precisão das flechas fosse baixa, exigindo adaptação e ajustes constantes.
No entanto, Caio Soares era experiente; após algumas tentativas, já sabia o que fazer.
Os dois dividiram o chapim assado.
A maior parte da carne foi para o estômago de Maria Gomes. Caio Soares roeu os ossos ou simplesmente os mastigou e engoliu.
Eram pouco mais de três da tarde. Ainda faltavam algumas horas para escurecer, então os dois saíram para patrulhar a montanha com suas novas ferramentas.
A sorte estava com eles. Não andaram muito e encontraram uma lebre cinzenta.
Mas a lebre era extremamente arisca; ao ouvir o menor ruído, disparou a correr.
Como diz o ditado: corre mais rápido que um coelho.
Era de se imaginar que a velocidade de fuga da lebre fosse altíssima.
Caio Soares não teve tempo de mirar com precisão. Ergueu o arco e, com um zunido, a flecha voou.
A flecha desviou e caiu aos pés da lebre.
A lebre se assustou, freou bruscamente e, apavorada, virou-se para correr na direção oposta.
Só que a árvore crescia em um penhasco!
Um penhasco quase a noventa graus!
A árvore estava a pelo menos trinta metros do chão, o equivalente a um prédio de dez andares.
Para colher a pimenta, seria necessário escalar dez andares com as mãos nuas.
Caio Soares observou o penhasco. Desde que houvesse onde apoiar os pés, escalar não era difícil para ele.
Maria Gomes, no entanto, estava preocupada, pois não havia nenhuma medida de segurança.
Além disso, a pimenta era apenas um tempero, não uma necessidade.
Ninguém morreria de fome por não comer pimenta.
— Esquece, Caio. Não precisa. Talvez haja em outro lugar.
— Já estamos aqui.
Caio Soares estava empenhado em fazer com que Maria Gomes tivesse uma vida de rainha, mesmo na floresta primitiva.
Não podia ser de qualquer jeito.
Ele colocou o cesto de cipó no chão:
— Maria, espere um pouco.
— Sério, não precisa. — Maria Gomes segurou a mão dele.
Caio Soares deu tapinhas gentis na mão dela:
— Fique tranquila, eu sei o que faço. Não vai acontecer nada.
— Mas eu me preocupo. — Maria Gomes olhou nos olhos dele, e a preocupação era tão intensa que quase transbordava.
O coração de Caio Soares amoleceu completamente.
Ele abraçou Maria Gomes e a confortou com voz suave:
— Está bem, então não vou. Faço o que você quiser. De agora em diante, em nossa casa, é você quem manda.

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