Entrar Via

Cinzas de Amor e Glória romance Capítulo 632

Fritos com a banha de javali refinada, o aroma era inebriante e o sabor, delicioso.

Ainda sobrava um pouco de tendão de javali. Caio Soares procurou uma forquilha de árvore, planejando fazer um estilingue simples.

Sem couro para fazer a bolsa, ele cortou um pequeno pedaço de tecido para substituí-lo.

Com o estilingue pronto, ele o entregou a Maria Gomes:

— Maria, experimente.

A potência do estilingue não era inferior à do arco e flecha. Além disso, era pequeno e prático, excelente tanto para defesa quanto para caça.

Maria Gomes gostou muito da ferramenta.

Ela se abaixou, pegou uma pequena pedra, envolveu-a no tecido e puxou o elástico, mirando em um pássaro pousado no galho de uma grande árvore.

Mirou e disparou.

"Zunido". O som de algo cortando o vento ecoou.

— Pá!

A pedra acertou o tronco da árvore, assustando o pássaro, que bateu as asas e voou para longe.

Caio Soares imediatamente lhe entregou uma segunda pedra.

Maria Gomes sorriu para ele, pegou a pedra e mirou novamente.

Desta vez, ela escolheu uma folha como alvo.

— Pá!

Errou.

Mas, diagonalmente à frente, um chapim caiu.

Maria Gomes ficou confusa.

Caio Soares já tinha corrido até lá.

Ele pegou o chapim ferido e gritou sorrindo:

— Maria, boa técnica! Acertou.

Maria Gomes ficou sem palavras.

Mas ela tinha mirado na folha.

Quem diria que acabaria derrubando um chapim?

O chapim era do tamanho da palma da mão; depois de depenado, ficaria ainda menor.

Mas, de qualquer forma, era carne. E fora ela quem caçara, mesmo que por acidente.

Enquanto Caio Soares limpava o chapim, Maria Gomes continuou praticando ao lado.

Passados alguns minutos, ela já dominava o básico e sua técnica melhorava cada vez mais.

Caio Soares terminou de limpar o pássaro e Maria Gomes ficou encarregada de levá-lo para assar na caverna.

Caio Soares, então, testou seu arco e flecha.

Como as penas da cauda foram amarradas com fios desfiados de cadarços, a fabricação não era refinada o suficiente.

Isso fazia com que a precisão das flechas fosse baixa, exigindo adaptação e ajustes constantes.

No entanto, Caio Soares era experiente; após algumas tentativas, já sabia o que fazer.

Os dois dividiram o chapim assado.

A maior parte da carne foi para o estômago de Maria Gomes. Caio Soares roeu os ossos ou simplesmente os mastigou e engoliu.

Eram pouco mais de três da tarde. Ainda faltavam algumas horas para escurecer, então os dois saíram para patrulhar a montanha com suas novas ferramentas.

A sorte estava com eles. Não andaram muito e encontraram uma lebre cinzenta.

Mas a lebre era extremamente arisca; ao ouvir o menor ruído, disparou a correr.

Como diz o ditado: corre mais rápido que um coelho.

Era de se imaginar que a velocidade de fuga da lebre fosse altíssima.

Caio Soares não teve tempo de mirar com precisão. Ergueu o arco e, com um zunido, a flecha voou.

A flecha desviou e caiu aos pés da lebre.

A lebre se assustou, freou bruscamente e, apavorada, virou-se para correr na direção oposta.

Só que a árvore crescia em um penhasco!

Um penhasco quase a noventa graus!

A árvore estava a pelo menos trinta metros do chão, o equivalente a um prédio de dez andares.

Para colher a pimenta, seria necessário escalar dez andares com as mãos nuas.

Caio Soares observou o penhasco. Desde que houvesse onde apoiar os pés, escalar não era difícil para ele.

Maria Gomes, no entanto, estava preocupada, pois não havia nenhuma medida de segurança.

Além disso, a pimenta era apenas um tempero, não uma necessidade.

Ninguém morreria de fome por não comer pimenta.

— Esquece, Caio. Não precisa. Talvez haja em outro lugar.

— Já estamos aqui.

Caio Soares estava empenhado em fazer com que Maria Gomes tivesse uma vida de rainha, mesmo na floresta primitiva.

Não podia ser de qualquer jeito.

Ele colocou o cesto de cipó no chão:

— Maria, espere um pouco.

— Sério, não precisa. — Maria Gomes segurou a mão dele.

Caio Soares deu tapinhas gentis na mão dela:

— Fique tranquila, eu sei o que faço. Não vai acontecer nada.

— Mas eu me preocupo. — Maria Gomes olhou nos olhos dele, e a preocupação era tão intensa que quase transbordava.

O coração de Caio Soares amoleceu completamente.

Ele abraçou Maria Gomes e a confortou com voz suave:

— Está bem, então não vou. Faço o que você quiser. De agora em diante, em nossa casa, é você quem manda.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Cinzas de Amor e Glória