Antônio Freitas acompanhou Nádia para fora do quarto.
Nádia colocou a máscara e os óculos escuros, perguntando com ar de triunfo:
— E então? A atuação da titia foi boa, não foi? Viu como seu pai ficou emocionado?
Antônio Freitas elogiou:
— A titia é, sem dúvida, uma profissional.
— Com certeza. — Nádia aproveitou para se curvar e apertar a bochecha dele. — Um menino tão bonito assim precisa sorrir mais. Sua mãe vai ficar bem.
Ao mencionar Maria Gomes, o sorriso de Nádia vacilou por um instante, mas logo ela se recomôs.
— Temos que acreditar na sua mãe. Precisamos viver nossa vida direitinho para não preocupá-la, para não sermos um peso. Então, não se preocupe tanto, ou vai virar um velhinho antes da hora.
— Hum. — Antônio Freitas assentiu, exibindo um sorriso extremamente mecânico.
Parecia algo produzido em série.
Nádia fez uma careta de desaprovação:
— ... Esquece, não se force. Eu já vou, volte para lá e cuidado. Se precisar de algo, ligue para a titia. Eu serei a primeira a chegar.
Protegida pelo agente e pelos seguranças, Nádia deixou o hospital.
Nádia fora chamada por Antônio Freitas, que temia que Patrício Freitas não suportasse o golpe, desenvolvesse problemas psicológicos e se tornasse um louco.
A preocupação da família e o consolo dos amigos talvez pudessem distraí-lo um pouco.
...
Pouco depois da saída de Nádia, Miguel Andrade chegou, ainda com a poeira da viagem.
Assim que desceu do avião, ele correu para lá sem parar, arrastando sua mala de viagem.
Patrício Freitas ficou surpreso ao vê-lo:
— O que você faz aqui? Viagem de negócios?
— Vim ver você. — Miguel Andrade caminhou a passos largos até a cama e deixou a mala de lado.
Patrício Freitas ergueu levemente uma sobrancelha, olhando para as mãos dele:
— Veio me ver de mãos vazias? Até a Nádia sabia que devia trazer flores.
Miguel Andrade sentou-se, aceitou a água que Antônio Freitas lhe serviu e sorriu:
— Obrigado, Antônio.
Ele tomou um gole antes de olhar para Patrício Freitas:
— Trouxe meu coração sincero, não consegue sentir?
Patrício Freitas ficou em silêncio.
Um por um, pareciam ter vindo apenas para irritá-lo.
— Como soube que eu estava internado?
As notícias sobre o ocorrido no País M estavam bloqueadas, exceto para as autoridades e familiares; pessoas comuns não teriam acesso.
— Simone me contou.
Simone Andrade era a futura nora da Família Gomes. Ela soube do incidente com Maria Gomes no País M e, por tabela, ouviu sobre os ferimentos de Patrício Freitas.
Ao saber do desaparecimento de Maria Gomes e do local onde Patrício Freitas fora ferido, Miguel não conseguiu ficar parado nem por um segundo e correu para lá imediatamente.
— Não fique tão triste. Ter ou não ter, na verdade, não faz muita diferença. Olhe para mim: embora eu tenha, nunca usei, é como se fosse inútil.
Miguel Andrade falava a verdade, e por isso parecia extraordinariamente sincero.
Patrício Freitas, que estava com o coração oprimido, ao ouvir as palavras de Miguel Andrade, sentiu uma vontade inexplicável de rir e se emocionou.
— Além do mais, a Maria não gosta de você. Você não vai usar isso no futuro de qualquer maneira, então tanto faz.
Patrício Freitas respirou fundo:
— Tio Miguel, obrigado por vir.
Miguel Andrade afagou a cabeça dele:
— Esses dias têm sido difíceis para você.
Antônio Freitas balançou a cabeça negativamente.
— Sua mãe... — Miguel Andrade fez uma pausa, sentindo uma dor no peito. — Há notícias da sua mãe?
— Ouvi o vovô dizer que há notícias.
Bento Paz foi procurar Ronaldo Paz assim que chegou ao País M, seguindo-o o tempo todo para facilitar a obtenção de informações.
Antônio Freitas fazia chamadas de vídeo com ele todos os dias.
Não apenas para trocar informações.
Antônio Freitas, afinal, era uma criança. Mesmo sendo alto e parecendo um adolescente, e tendo uma personalidade madura, ele ainda era uma criança, e Bento Paz não ficava tranquilo.
Mas ficar no hospital era algo impossível para Bento.
Depois do que Patrício Freitas fez com sua Maria, ele sentia repulsa só de olhar.
Por isso, avô e neto se falavam por vídeo diariamente.
...
Na floresta primitiva.
O arco e flecha de Caio Soares estava pronto. Ele incrustou pedaços afiados de conchas nas pontas das flechas, aumentando sua letalidade.
Para a cauda das flechas, usou penas de pássaros.
Caio Soares as encontrou ao saquear um ninho de pássaro.
Ele também pegou dois ovos não chocados do ninho, ovos que eram pelo menos do tamanho do punho de um adulto.

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