Com a pessoa amada ao seu lado, como ele poderia se cansar?
Além disso, eram apenas os dois, dependendo um do outro para sobreviver.
Essa sensação era incrivelmente maravilhosa e excitante.
Especialmente com a chegada da noite, quando só podiam ficar dentro daquela caverna fechada e pequena.
Em breve, eles dormiriam juntos.
Só de pensar nisso, ele sentia o corpo todo esquentar e uma energia inesgotável.
Depois que a água nos bambus esquentou, Caio Soares os pegou.
— Maria, a água está pronta, pode lavar os pés.
Eles haviam caminhado por dias seguidos e, embora Maria Gomes não tivesse reclamado uma única vez, Caio Soares, por experiência própria, sabia que os pés dela deviam estar com bolhas.
Agora que tinham água quente e não precisavam mais caminhar, era necessário limpar bem para evitar que as feridas infeccionassem.
Maria Gomes não fez cerimônia; levantou-se, foi para fora da caverna, sentou-se no banco de pedra que Caio Soares colocara lá e tirou os sapatos.
Imediatamente, um cheiro azedo subiu ao ar.
Embora ela já esperasse por isso, ainda assim foi pega de surpresa.
Caio Soares saiu com a tocha e agachou-se ao lado dela.
— Não, está fedendo muito! — Maria Gomes estendeu a mão para empurrá-lo para longe.
Caio Soares segurou a mão dela e fincou a tocha no chão ao lado.
Em seguida, segurou os pés dela, dizendo com suas ações: não está fedendo.
— Deixe-me ver onde machucou.
— Como você sabia?
Nas solas e nos dedos dos pés de Maria Gomes, havia vários machucados, já vermelhos e inflamados.
O coração de Caio Soares doeu.
Ele pegou o bambu e despejou a água morna, lavando os pés de Maria Gomes.
Maria Gomes ficou muito envergonhada; aquela já era a terceira vez que Caio Soares lavava os pés dela.
Mas, desta vez, seus pés estavam realmente cheirando mal.
Embora fosse por força das circunstâncias e não por falta de higiene, ela ainda sentia uma timidez no fundo do coração.
— Não precisa, eu mesma faço isso — disse ela apressadamente.
Caio Soares, no entanto, não mostrou intenção de soltá-la e disse em voz baixa:
— Na primeira vez que entrei na floresta primitiva para treinar, meus pés ficaram em carne viva. Achei que se aguentasse um pouco, melhoraria, mas acabei pegando uma infecção fúngica e fui desclassificado. Por isso, precisa lavar bem.
— Eu posso fazer sozinha — repetiu Maria Gomes.
Caio Soares assentiu.
— Eu despejo a água para você.
Enquanto Caio Soares despejava a água, Maria Gomes esfregava os próprios pés.
Quando os pés estavam limpos e branquinhos, sem mais nenhum odor, Caio Soares disse:
— Maria, vou te levar para dentro no colo.
— Eu posso andar sozinha.
— Pretende ir descalça ou calçar os sapatos?
— Calçar os sapatos — respondeu Maria Gomes.
— Seus sapatos ficaram abafados por dias. Você acabou de lavar os pés, deixe os sapatos arejarem um pouco. Eu te levo.
No fim, Maria Gomes foi carregada para dentro nos braços de Caio Soares.
No fim, considerando o tamanho da caverna, o aquecimento, a segurança física e o conforto psicológico, decidiram dormir juntos.
Afinal, não seria a primeira vez.
Na primeira vez é estranho, na segunda é natural.
Eles não tinham dormido bem nos últimos dias.
Embora Maria Gomes fosse acostumada a virar noites, aqueles dias a levaram ao extremo do cansaço.
Por isso, pouco depois de se deitar, ela adormeceu.
Caio Soares, ouvindo a respiração regular de Maria Gomes, também logo entrou no mundo dos sonhos.
Ambos tiveram uma noite sem sonhos.
No dia seguinte, após acordar, Maria Gomes calçou as meias limpas e os sapatos secos e foi com Caio Soares até o rio.
Lavaram o rosto na beira do rio e foram verificar a armadilha.
O café da manhã dependia disso.
Felizmente, após a noite, havia um peixe do tamanho de uma palma lá dentro.
Um peixe só dava para uma pessoa, então Maria Gomes procurou alguns vegetais silvestres.
No caminho de volta, Caio Soares foi pegando larvas e insetos enquanto andava.
Ele os espetava em gravetos e os assava no fogo.
Depois de tostados, comia um por um, crocantes.
Ao voltarem com o peixe, Maria Gomes o grelhou até dourar e fez uma sopa.
Ela comeu a carne do peixe, enquanto Caio Soares tomou um pouco do caldo e comeu vegetais cozidos.
Após o café da manhã, saíram juntos em busca de suprimentos...

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Cinzas de Amor e Glória