Escureceu muito rápido; a floresta ficou negra num instante, a visibilidade era baixíssima, e, ao olhar ao redor, sombras fantasmagóricas se formavam.
Felizmente, eles tinham feito tochas, então não precisavam andar às cegas.
Caio Soares encontrou um cajado de caminhada para Maria Gomes, para facilitar o andar e também para defesa.
Ele continuou abrindo caminho na frente.
Embora seus relógios, celulares e todos os acessórios tivessem sido jogados fora no momento em que entraram no carro...
Caio Soares ainda conseguia julgar a direção geral pela posição do sol, pelo crescimento de musgo nas árvores, pelos anéis de crescimento da madeira, pela Estrela do Norte, e pela geografia das montanhas e rios.
Ele era uma bússola humana.
Nas primeiras horas, eles quase não descansaram.
Porque tinham acabado de comer e estavam cheios de energia.
Eles pretendiam usar a vantagem de seu condicionamento físico e a vantagem natural da escuridão e do ambiente complexo da floresta para, num só fôlego, aumentar a distância drasticamente.
Caminharam até por volta das 11 da noite.
Finalmente, Maria Gomes e Caio Soares pararam para descansar.
Os pequenos caranguejos que guardaram tornaram-se o lanche da ceia dos dois.
Os caranguejos não eram grandes, então comiam com casca e tudo, crocantes ao mastigar.
Maria Gomes sentou-se numa pedra lisa, mastigando um caranguejo, e de repente sorriu.
Caio Soares, sentado de costas para ela, ouviu o riso e virou a cabeça para olhar.
— Rindo de quê?
— Só acho incrível.
Antigamente, presa num casamento fracassado, ela se sentia perdida, cheia de dúvidas e dor.
Ela nunca imaginou que o futuro seria tão emocionante.
Estava sobrevivendo na selva.
Embora fosse difícil e perigoso, por outro lado, era emocionante, estimulante, uma experiência de vida completamente diferente.
Além disso, Caio Soares estava lá.
Caio Soares não deixaria nada acontecer com ela.
Ela confiava em Caio Soares.
Com ele por perto, ela se sentia segura.
Pensando nisso, Maria Gomes disse de repente:
— Caio, amanhã vamos conseguir comer carne? Estou com vontade de comer carne.
Caio Soares respondeu com carinho:
— O Caio pega para você. Quer faisão, coelho ou javali?
Um javali adulto tinha um poder de combate incrível; com o físico atual dele, capturar um não era impossível, mas exigiria esforço.
Mas pegar um javali pequeno era muito mais simples.
— O que você pegar, eu como. — Os cantos da boca de Maria Gomes se ergueram levemente, e seus olhos transbordavam sorrisos.
Naquele momento, nem ela percebeu que sorria tão feliz e docemente.
Caio Soares assentiu.
— Combinado. Então amanhã pego faisão, depois de amanhã coelho, depois javali, e depois...
Ela achou que Caio Soares tinha lhe dado a adaga e explicado sobre os pontos fracos dos lobos para que ela lutasse junto.
Mas ele só queria que ela se defendesse e se escondesse.
Ele planejava enfrentar aquelas dezenas de lobos sozinho.
Maria Gomes disse:
— Eu te ajudo.
— Maria...
— Eu disse que vou te ajudar. — Maria Gomes aumentou o tom, interrompendo Caio Soares. — Não sou uma flor delicada. Meu físico também foi aprimorado, sei lutar e imobilizar. Posso te ajudar!
— Caio, sei que se preocupa comigo, mas eu também me preocupo com você. Não posso me esconder numa árvore sozinha e ver você ser cercado por uma matilha lá embaixo.
Enquanto conversavam de costas um para o outro, os mais de vinte lobos formaram um cerco lentamente.
*Auuu —*
Com o uivo do lobo alfa, os mais de vinte lobos atacaram instantaneamente.
— Então cuidado, Maria. — Enquanto avisava, Caio Soares levantou o cajado e golpeou com força.
O lobo que pulou nele rosnando teve a cabeça esmagada pelo bastão, caindo mole no chão, incapaz de se levantar.
Felizmente, o material do cajado era muito resistente e não quebrou com o impacto.
Do outro lado, Maria Gomes segurava a adaga; com um movimento preciso, matou um lobo que vinha de frente.
Sangue espirrou no rosto limpo de Maria Gomes, dando-lhe uma aparência extra de letalidade.
Os lobos presentes ficaram assustados com a ferocidade de Maria Gomes e Caio Soares.
Por um momento, pararam, andando em círculos, aterrorizados.

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