— Vamos, não quero mais problemas. — Nicolau Cruz apressou, irritado.
Ele temia que, se ficassem mais tempo, perderia o controle e o sangue jorraria ali mesmo.
Ele não ousava testar seu autocontrole naquele momento.
Maria Gomes, também infectada, precisava voltar ao laboratório o mais rápido possível para receber a dose inicial do antídoto.
Ela também não podia perder tempo ali com Mateus Cruz.
O grupo partiu rapidamente.
Ao sair do hospital, Maria Gomes pegou o celular e, enquanto caminhava, procurou o número do diretor do Hospital São Horizonte.
Durante o projeto da câmara médica para pacientes em coma, Maria Gomes havia conhecido os diretores de todos os grandes hospitais da Cidade R.
Ela encontrou o número rapidamente e ligou.
Após a ligação ser atendida e trocarem algumas gentilezas, Maria Gomes foi direto ao ponto.
— Reitor Matos, peço que verifique uma paciente chamada Mateus Cruz. Acabei de encontrá-la no hospital. O estado dela me pareceu muito semelhante às manifestações clínicas de um projeto em que estou trabalhando. Suspeito que ela possa portar um vírus contagioso. Peça ao médico que a atendeu para ter cuidado. Se for confirmado, não divulgue a informação para evitar pânico...
Nicolau Cruz, com um cigarro entre os dentes, a seguia de perto. Parecia relaxado, mas seus olhos avermelhados e as veias saltadas nas mãos revelavam seu verdadeiro estado.
Depois de ouvir a ligação de Maria Gomes, Nicolau Cruz a olhou com desconfiança.
— Você olhou para ela por alguns segundos e já sabe que ela está infectada com o vírus zumbi? Como você diagnosticou isso?
O olhar de Nicolau Cruz era como se estivesse encarando uma charlatã.
— Ela estava agindo de forma suspeita, culpada e evitando o contato visual. Seus olhos estavam vermelhos como os seus. Além disso, Plínio Ramos é o genro dela. — Por isso, ela deduziu que Mateus Cruz provavelmente estava infectada.
Depois de alguns passos sem ouvir resposta, Maria Gomes se virou.
Nicolau Cruz estava parado a uma curta distância, olhando para ela com uma expressão indecifrável.
— Como você sabe que eu conheço Plínio Ramos?
Maria Gomes ergueu uma sobrancelha, percebendo o erro.
Quando mencionou “Plínio Ramos”, seu tom era de quem fala sobre um conhecido em comum, sem explicar quem ele era.
Não era de se admirar que Nicolau Cruz suspeitasse.
Mas a reação dele foi impressionante. Digno de um assassino, muito perspicaz.
— Eu investiguei o histórico de Roberto, incluindo seus rivais. Por isso sei que seu nome é Nicolau Cruz. Vamos ou não?
Maria Gomes inclinou a cabeça, apontando para o carro ao lado.
Mateus Cruz insistiu várias vezes que não se sentia bem, que estava doente.
A jovem médica continuou a tranquilizá-la, dizendo que era tudo coisa da sua cabeça, que ela estava muito saudável.
Mateus Cruz estava ansiosa e assustada. Com a influência do vírus, suas emoções se descontrolaram facilmente, tornando-a instável.
Ela bateu na mesa, furiosa, e gritou:
— Sua médica incompetente! Você sabe o que está fazendo?! Comprou seu diploma?
— Estou tão doente e você não consegue ver? Saudável? Saudável uma ova! Você não vê que meus olhos estão cheios de sangue?
— Investigue direito e me diga que doença eu tenho! Senão, vou te denunciar, denunciar que você é uma médica falsa que brinca com a vida das pessoas!!
A médica tentou acalmá-la: — Senhora, por favor, acalme-se.
— Acalmar? Como posso me acalmar? Estou doente, e você nem consegue descobrir o que eu tenho. Você é uma inútil! Para que serve uma médica como você? Se não consegue descobrir, chame um especialista, chame o diretor! Hoje vocês precisam descobrir que doença eu tenho.
Mateus Cruz fez um escândalo no hospital, gritando e se jogando no chão.
A estagiária tentou apaziguar: — Tudo bem, tudo bem, espere um momento, vou chamar reforços.
Pouco depois, chegaram os médicos do hospital psiquiátrico...

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