O carro freou de forma abrupta à frente, e uma mulher alta e bela desceu.
A mulher caminhou com uma postura graciosa até Maria Gomes e sorriu, se desculpando. — Oh, desculpe, não vi você.
A recém-chegada era a mulher que encontrara no hospital, a gerente geral do Grupo Verdanza: Sally.
Ou seja, Fiona Freitas após a cirurgia plástica.
Mas Maria Gomes não sabia disso.
Ela só sabia que, no momento em que Sally se aproximou, aquela sensação de desconforto ressurgiu.
Ela não gostava de Sally.
Poderia até dizer que detestava a mulher à sua frente.
E embora Sally pedisse desculpas, não havia um pingo de remorso em seus olhos sorridentes.
Maria Gomes franziu a testa, com uma expressão fria. — Então seu motorista é realmente cego.
— É verdade, por isso pretendo demiti-lo. — Sally ergueu uma sobrancelha, com um ar de displicência.
Em seguida, ela baixou o olhar para os sapatos de Maria Gomes. — Quanto aos seus sapatos sujos, eu pagarei o valor correspondente.
Maria Gomes não gostava daquela mulher e não queria ter muito contato com ela, então recusou friamente. — Não precisa, são apenas sapatos.
Enquanto as duas conversavam, Patrício Freitas pegou uma toalha que seu guarda-costas lhe entregou.
Então, ele ergueu a barra da calça, agachou-se, baixou a cabeça e começou a limpar os sapatos de Maria Gomes com a toalha.
— Patrício Freitas, o que você está fazendo? Ficou louco?
Maria Gomes recuou assustada, quase caindo, mas seu guarda-costas, Yuri Farias, a amparou.
— Hahahaha... — Sally gargalhou ao lado.
O olhar que Patrício Freitas lançou a ela era assustadoramente frio.
Sally conteve o riso e arqueou as sobrancelhas. — Diretor Freitas, não me olhe assim. Vou pensar que está interessado em mim. Eu sei que sou linda.
Patrício Freitas franziu a testa, sua voz gélida carregada de advertência. — Grupo Verdanza, Sally.
Sally ergueu o queixo. — Sou eu. O que o diretor Freitas deseja?
— Aqui é a Cidade R, Brasil, não o Reino de Caos. É melhor a senhorita Sally recolher suas garras. Seja por cegueira do motorista ou por sua ordem, não quero que isso se repita.
— Oh... — Sally disse em um tom zombeteiro e sorridente. — O diretor Freitas quer bancar o protetor? Pena que...
Dizendo isso, Sally apontou com o queixo para Maria Gomes. — Parece que esta senhorita não aprecia o gesto.
Maria Gomes encarou Sally friamente, seus olhos escuros cheios de questionamento. — Nós nos conhecemos?
O homem outrora poderoso e arrogante estava disposto a se agachar, curvar-se e baixar a cabeça orgulhosa.
Tudo para limpar os sapatos de Maria Gomes.
Mas mesmo um desejo tão humilde, Maria Gomes não lhe dava a oportunidade de realizar.
Amor tardio não vale nada.
Maria Gomes o desprezava.
— Você costumava limpar os sapatos de Luana Barbosa assim também, não é?
O rosto de Patrício Freitas ficou pálido, sem um pingo de sangue. Ele abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu.
Ele não tinha como negar.
Porque, de fato, ele havia limpado os sapatos de Luana Barbosa inúmeras vezes.
Os olhos de Patrício Freitas foram ficando vermelhos, com um brilho úmido e contido de lágrimas.
O coração doía a ponto de sufocar.
Mil palavras se formaram em sua mente, mas no final, apenas um fraco “Maria, desculpe” escapou.
Maria Gomes o olhou com calma. — Patrício Freitas, admito que, no passado, eu fantasiei e esperei por isso, mas isso foi no passado. Agora, não quero mais. Então, por favor, pare de pensar nisso também. Pela minha própria experiência, eu lhe digo: é tudo em vão, não adianta.

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