Um “ding” ressoou.
As portas do elevador da ala de internação do hospital se abriram, e Maria Gomes e Miguel Andrade saíram juntos.
— Maria, obrigado por concordar em ajudar. Anne é a melhor amiga da minha mãe. No acidente de carro daquele ano, foi o marido dela quem a protegeu, e por isso o Sr. Cavalcanti acabou em estado vegetativo. Desde então, Anne tem procurado incansavelmente por uma forma de tratar o Sr. Cavalcanti, nunca desistiu. Agradeço de verdade por sua ajuda desta vez.
Maria Gomes desviou dos pacientes que passavam e disse em um tom leve: — Não precisa ser tão formal. Quando Simone e Josué se casarem, seremos parentes. Aí terei que te chamar de irmão.
Miguel Andrade olhou para ela com um sorriso e uma voz gentis. — Não precisa esperar até lá, pode me chamar assim agora.
Ele estava tão focado em conversar com Maria Gomes que não viu quem se aproximava.
Um grito feminino e delicado soou: — Ah!
Miguel Andrade se virou e estendeu a mão, amparando Fiona Freitas, que saía do quarto de Luana Barbosa.
Fiona Freitas já tinha visto Maria Gomes e Miguel Andrade.
Observar o homem que um dia amou sem ser correspondida falar com tanto carinho e ternura com a pessoa que mais odiava.
O coração de Fiona Freitas se encheu de amor e ódio.
Ela caminhou em direção a eles com um sorriso indolente e passos sedutores.
Todos que passavam, fossem pacientes, familiares, médicos ou enfermeiros, não podiam deixar de lançar-lhe um olhar.
Mas os olhos de Miguel Andrade só tinham espaço para aquela desgraçada da Maria Gomes.
O que aquela maldita tinha de tão interessante!
Fiona Freitas apertou com mais força o copo de café que segurava, a inveja a consumindo até a loucura.
Fingindo conversar com um de seus subordinados, ela colidiu propositalmente contra o peito de Miguel Andrade.
Miguel Andrade a segurou como um cavalheiro, mas a ternura em seus olhos desapareceu completamente, e sua voz educada adquiriu um tom de distância.
— Desculpe, você está bem? — Ao dizer isso, Miguel Andrade soltou-a e deu dois passos para trás, criando distância.
Fiona Freitas reprimiu a inveja em seu coração e, olhando para a mancha de café na roupa dele, disse com um ar de profundo arrependimento: — Eu também deveria pedir desculpas, meu café sujou sua roupa.
Miguel Andrade olhou para a mancha. — Não foi nada.
— Deixe-me limpar.
— Limpe.
O coração de Fiona Freitas ardia com um ódio assassino, mas seu rosto exibia um sorriso indolente e sedutor.
— Senhor, podemos trocar contatos? Eu gostaria de pagar pela sua roupa. Não gosto de dever nada a ninguém.
— Não é necessário. Fui eu quem esbarrou em você. — Miguel Andrade recusou com um sorriso. Ele nunca adicionava contatos de estranhos.
Além do mais, era apenas uma peça de roupa.
— Ah, entendo. É que não estou me sentindo muito bem. Será que a batida me afetou? Talvez eu precise fazer um check-up.
Fiona Freitas olhou para Miguel Andrade com inocência.
Maria Gomes, observando de lado, entendeu perfeitamente a situação.
Provavelmente, a bela mulher à sua frente estava interessada em Miguel Andrade.
Mas, por alguma razão, olhar para aquela mulher lhe causava um certo desconforto.
Ela não gostava daquela pessoa.
Miguel Andrade também percebeu as intenções da mulher e entregou-lhe um cartão de visita. — Este é meu cartão. Se tiver qualquer problema, pode me contatar.

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