O clima do jantar era descontraído e agradável.
Com Enrico Rocha fazendo a ponte e a presença imponente de Miguel Andrade e Patrício Freitas, a negociação da parceria foi um sucesso.
Depois que todos se foram, apenas Miguel Andrade e Patrício Freitas permaneceram com Maria Gomes.
— Maria, eu te levo.
— Maria, eu te levo.
Os dois falaram ao mesmo tempo.
Nesse momento, um veículo off-road modificado parou ao lado deles.
A janela baixou, revelando o rosto de Caio Soares.
Ele estava muito mais bronzeado, com um corte de cabelo militar, mas seus olhos eram escuros, brilhantes e cheios de vida.
— Caio! — Exclamou Maria Gomes, surpresa. — Quando você voltou?
— Agora mesmo. Ouvi dizer que você estava jantando aqui. Não cheguei tarde, não é?
Enquanto falava, Caio Soares saiu do carro e se aproximou de Maria Gomes.
Ele vestia uma jaqueta de couro preta, calças cargo justas no tornozelo e luvas sem dedos, o que lhe conferia um ar viril e descolado.
Ele passou o braço naturalmente pelos ombros de Maria Gomes e olhou para Patrício Freitas e Miguel Andrade. — Agradeço a vocês dois por cuidarem da minha namorada.
Sua presença era a de um legítimo parceiro.
Naquele momento, Patrício Freitas e Miguel Andrade se tornaram verdadeiros companheiros de infortúnio, compartilhando quase a mesma expressão de desolação e amargura.
— Miguel, cuidado na estrada. Nós já vamos. — Disse Maria Gomes, dirigindo-se a Miguel Andrade.
Em momento algum Maria Gomes se dirigiu a Patrício Freitas, ignorando-o de forma evidente, o que o deixou ainda mais desconfortável.
Seu peito parecia oprimido por uma pedra pesada, uma sensação de sufocamento e aperto.
Caio Soares acenou brevemente para os dois, conduziu Maria Gomes até o carro e, atenciosamente, abriu a porta para ela.
O chassi do carro era alto. Caio Soares ajudou Maria Gomes a subir e depois afivelou seu cinto de segurança.
O motor rugiu e o carro mergulhou na noite, desaparecendo da vista dos dois homens.
Patrício Freitas pegou um maço de cigarros, colocou um na boca e ofereceu a Miguel Andrade. — Quer?
Miguel Andrade aceitou um. Com o mesmo isqueiro, acenderam os cigarros que seguravam entre os lábios.
— Quero lutar boxe. — Disse Miguel Andrade.
Patrício Freitas respondeu: — Então vamos.
Enquanto os dois se dirigiam para a academia de boxe...
No carro em movimento...
Patrício Freitas também sentia que ou havia enlouquecido, ou seu cérebro estava danificado.
Mas ele não parava de pensar em voltar ao passado.
Apagar as memórias era a última opção; voltar ao passado e recomeçar era o plano ideal.
Mas viajar no tempo era algo de romances e séries de TV. Seria realmente possível voltar ao passado?
— As pessoas precisam ter sonhos. Além do mais, tudo é possível. Como saber sem tentar? Você quer participar?
Embora Miguel Andrade também quisesse voltar ao passado...
Voltar ao início de tudo, para que pudesse salvar Maria Gomes dos arruaceiros antes de Patrício Freitas.
Mas ele ainda mantinha um pingo de sanidade.
Contudo, como um investidor competente...
Ao ouvir sobre um projeto tão fantasioso, até mesmo absurdo e impossível...
Seu primeiro pensamento não foi descartá-lo, mas sim entendê-lo a fundo.
Por isso, Miguel Andrade disse: — Me envie a proposta do projeto. Vou dar uma olhada primeiro.
Afinal, e se...?

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