Mas o carro não parou.
O medo subiu logo.
Será que esse cara vendia pessoas?
Mas ela pensou um pouco. Pelo jeito que ele se vestia e pelo carro, não devia ser gente desse tipo.
No meio dessas ideias doidas, o carro parou de leve.
O motorista saiu, foi lá para trás, abriu a porta do banco traseiro e se curvou:
— Sr. Fontana, o Cartório de Registro Civil chegou.
A cabeça de Júlia explodiu num barulho.
Sr. Fontana?
Uma ideia rápida passou pela cabeça.
Um segundo depois, a voz baixa do homem soou no carro:
— Srta. Alencar, deixe eu me apresentar.
O homem inclinou para a frente. O olhar dele perdeu o gelo, e a voz saiu de forma pausada:
— Dante Fontana.
— O mesmo velho amaldiçoado que você disse...
Júlia ficou de boca aberta; os olhos atrás dos óculos escuros abriram bem.
Ofender o chefe antes mesmo de chegar ao emprego!
— Olha... eu falei aquilo da boca pra fora.
— É mesmo?
Dante deixou o olhar na cara dela; o canto dos lábios subiu.
O desejo de Júlia de ficar viva subiu à cabeça:
— Eu me confundi com as fofocas. O senhor é lindo. No primeiro momento eu não consegui tirar o olho, poder casar com você é a sorte das minhas três vidas!
Ela sentiu o homem irritado.
O olhar caiu como faca no pescoço.
Se não puxasse saco agora, ia morrer sem saber.


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