— Você sofreu tanto neste último ano por causa dos olhos. Agora que finalmente enxerga, precisa tomar cuidado.
Ela lamentou por dentro: aquele homem mal olhava na cara das pessoas, mas, por causa dos olhos da garota, quase perdeu a própria vida...-
Agora que ela já enxergava de novo, se desse algum problema, a médica levaria a culpa.
Júlia acenou com a cabeça. — Eu sei, obrigada, Dra. Yin.
Beatriz abriu a boca e rodou a caneta entre os dedos:
— Na verdade, eu só estou fazendo isso a pedido de alguém...
— Eu sei.
Júlia a interrompeu, sem expressão no rosto.
Beatriz parou.
Júlia se levantou, colocou os óculos escuros de novo e abaixou um pouco o canto da boca.
Antes, toda vez que lembrava da correria de Victor atrás de médicos, favores e dinheiro, achava que tinha sorte na vida.
Tinha um marido tão bom que não a rejeitava nem cega.
Pensando bem agora, era só uma dívida dele.
Ela tinha ficado cega por culpa dele.
Procurar médicos para curá-la era obrigação, não favor.
Beatriz não disse mais nada, só falou:
— Lembre-se de tomar os remédios na hora. Se o olho incomodar, pode me ligar qualquer hora.
— Tá bem.
Assim que Júlia saiu, Beatriz encostou na cadeira, suspirou e abaixou a cabeça para mandar mensagem:
[Júlia acabou de vir para o retorno. Os olhos estão bem, mas ela não parece muito normal.]
Meio minuto depois, veio a resposta:
[Cuide só dos olhos, do resto não se intrometa. Já tem gente de olho.]
Beatriz franziu a testa para a tela.
O homem faz tanto esforço para curar os olhos dela, não aparece e nem deixa falar o nome. O que ele ganha com isso?
...
Hotel.



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