Ele virou a cabeça e perguntou ao assistente na porta: — E a Júlia?
O assistente travou um pouco. — Sr. Campos, a Srta. Alencar... acho que foi embora antes de a cerimônia acabar.
Victor tirou o celular do bolso e ia ligar para ela, quando sua mãe, Zélia Campos, apareceu usando um vestido tradicional elegante em tom vermelho escuro.
— O que você está fazendo plantado aí? Vai fazer companhia à Jéssica, ela passou sufoco hoje. Vá agradá-la.
— Tá bem.
Victor guardou o celular no bolso.
Pensou que Júlia estava cega há dois anos e já tinha se acostumado. Ela ia sozinha ao hospital; devia estar bem.
O casamento estava cheio de gente, ela devia ter achado barulhento e foi para casa descansar.
Pensou mais um pouco e mandou um áudio para ela:
— Esposa, vou viajar a trabalho amanhã e volto em uma semana. Se cuide em casa. Trago um presente na volta.
Amanhã ele levaria Jéssica para a lua de mel e só voltaria uma semana depois.
...
Por outro lado.
Júlia estava arrumando as malas.
Nos dois anos que passou cega, saiu pouco e quase não comprou roupas; não tinha muita coisa para levar.
O celular vibrou em cima da mesa.
Ela pegou; era um áudio de Victor.
— Esposa, vou viajar a trabalho amanhã e volto em uma semana. Se cuide em casa. Trago um presente na volta.
A voz soava cuidadosa, mas deu nojo em Júlia.
Seus dedos tocaram na tela duas vezes, bloqueando Victor no WhatsApp e nas ligações.
Uma notificação de assunto em alta apareceu no Ins.
Ela abriu no impulso:
Em alta: #CasamentoCamposEXavier

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