— Srta. Alencar, o patrão e a senhora mandaram vir te buscar.
Júlia franziu a testa, entendendo tudo.
Breno Alencar e Sílvia Alencar estavam com medo de que ela desistisse e mandaram gente para pegá-la no aeroporto.
— Eu não vou voltar.
Júlia deu meio passo para trás, com a voz firme:
— Eu topei o casamento, e vou cooperar. Não preciso voltar para a casa dos Alencar.
A casa deles era uma jaula, e ela não queria voltar.
O segurança deu um riso frio, com tom de escárnio:
— Te chamamos de senhorita, mas acha mesmo que faz parte da família? Se for esperta, vem com a gente. Não nos faça usar a força.
Nisso, os dois homens a pegaram, um de cada lado, e começaram a levá-la para fora.
Enquanto se debatia, Júlia viu um Cullinan preto chegar devagar.
O vidro tinha película escura, e não dava para ver dentro.
Júlia empurrou os seguranças com força e correu para o carro.
Ela foi muito rápida. Antes que os seguranças pudessem fazer algo, ela já tinha aberto a porta e entrado.
A porta bateu e fechou.
— Vai rápido!
Júlia nem olhou a pessoa no banco de trás e implorou com as mãos juntas:
— Dois caras estavam me seguindo. Pode me dar uma carona?
Fora do carro.
Os dois homens iam atrás dela, mas pararam ao ver a placa e não deram mais nenhum passo.
DF-A·00001.
No Distrito Norte da Capital inteiro, todos conheciam o peso daquela placa.
Parar aquilo? Era procurar a morte.
O Cullinan preto saiu do aeroporto de forma suave.


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