Renan mal ousava imaginar a cena.
— Sr. Mendes. — A voz de Renan estava um pouco seca. — O senhor pretende...
— Vamos criar primeiro. — Caio o interrompeu, virando-se, o rosto já com a calma de sempre. — Deixe a Tânia continuar a gestação no complexo residencial, garanta todos os cuidados alimentares e não permita que nenhum acidente aconteça com ela. Especialmente a criança, tem que nascer em segurança.
Renan ficou surpreso:
— Mas se a sua tia souber...
— É para ela saber mesmo. — O canto da boca de Caio formou uma curva fria. — Mas não agora. Quando o bebê completar sete meses, quase na hora de nascer… faça com que ela descubra tudo por acaso.
Renan entendeu na mesma hora.
Aos sete meses, o feto já estaria basicamente formado, e o risco de um aborto seria altíssimo. Deixar Adriana saber nessa época seria o verdadeiro golpe fatal.
— Entendi. — Renan assentiu. — Vou providenciar pessoas para proteger a Tânia e garantir a segurança dela e da criança.
Caio assentiu e saiu da sala de reuniões.
Renan o seguiu rapidamente, continuando a falar enquanto andava:
— Além disso, chegou a notícia do residencial de que a senhora passou muito bem esta manhã. A Dra. Tereza foi fazer a ronda às nove e conversou com ela por uns vinte minutos. A senhora estava de bom humor e até tomou meia tigela de mingau a mais no almoço.
Os passos de Caio pararam visivelmente.
Então, Renan viu que o rosto do seu chefe, que estivera frio desde o início da reunião, finalmente relaxou um pouco. Não era um sorriso, mas as linhas finas no canto dos olhos se suavizaram, e a aura da pessoa inteira ficou muito mais suave.
— Dra. Tereza... — Caio repetiu o nome, com um tom completamente diferente de antes. — Como ela está hoje? Está cansada?
— A Dra. Tereza parece estar bem disposta. — Renan escolheu as palavras com cuidado. — Mas o Dr. Wagner disse que ela quase não descansou nesses últimos dias. Além de fazer as rondas e olhar os prontuários, ela fica no escritório dos médicos estudando o plano de tratamento da senhora.
A testa de Caio franziu novamente.
Os dois entraram no escritório do presidente. Caio sentou-se atrás da mesa, Renan colocou o tablet e a pasta na mesa e entregou o celular de Caio.
Havia três chamadas perdidas na tela do celular, todas do "avô".
Caio encarou aqueles três pontos vermelhos por alguns segundos e não retornou a ligação imediatamente. Ele levantou a cabeça e olhou para Renan:
— Daqui a trinta minutos, arrume o carro.
— Sim. — Renan assentiu. — Aonde o senhor vai? Para o residencial?
— Primeiro ao Restaurante Pavilhão de Seda. — Caio disse.
Renan ficou surpreso.
O Restaurante Pavilhão de Seda era o restaurante particular mais exclusivo de Cidade S, sem comparação. Eles só recebiam três mesas de clientes por dia, e as reservas eram feitas com três meses de antecedência. Caio era acionista de lá, mas mesmo assim, raramente ia e menos ainda o mencionava por iniciativa própria.
— Sr. Mendes, o senhor vai... — Renan perguntou, sondando.

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