Do outro lado da linha, a voz do senhor Osvaldo era velha, mas ainda ressonante e poderosa, carregando a majestade de quem ocupou altos cargos por muito tempo, mas também não conseguia esconder o cansaço:
— O seu pai causou esse tipo de problema de novo e ainda mandou a sua mãe para o hospital de tanta raiva... Caio, você fez bem. Esse tipo de desgraçado tem que ser trancado para refletir bem!
Caio segurou o celular, as pontas dos dedos apertando levemente. Ele conseguia ouvir a raiva e a decepção no tom do avô — não com ele, mas com aquele filho inútil.
— Vovô, não fique bravo. — A voz de Caio ficou bem suave. — A minha mãe já está fora de perigo, a cirurgia foi um sucesso. Agora ela está descansando no residencial, eu vou cuidar bem dela.
— Eu sei que vai. — O tom do senhor Osvaldo suavizou um pouco. — Sobre a sua mãe... vou pedir para o velho Ziraldo levar alguns suplementos amanhã. Diga a ela por mim que a família Mendes sente muito, que eu, Osvaldo Mendes... sinto muito.
A garganta de Caio apertou um pouco. O avô raramente dizia esse tipo de coisa. Aquele velho que havia navegado no mundo dos negócios por meio século e fundado o Grupo Mendes sozinho, sempre foi enérgico e nunca dizia palavras suaves.
— Vovô, não diga isso. — Caio disse em voz baixa. — A minha mãe não vai culpá-lo.
O outro lado da linha ficou em silêncio por um longo tempo, tanto que Caio achou que o sinal tinha caído.
Então, o senhor Osvaldo falou novamente, com a voz bem baixa:
— Caio, sobre o seu pai... o que você pretende fazer?
O olhar de Caio caiu do lado de fora da janela do escritório, observando as nuvens se movendo lentamente na linha do horizonte ao longe. Sua voz era muito calma, tão calma que não tinha nenhuma oscilação:
— Deixe-o morar bem no Vale do Poente. O ambiente lá é bom, adequado para descansar.
— Descansar... — O senhor Osvaldo repetiu essas duas palavras, com um tom complexo. — Que seja. Deixá-lo longe da sua mãe é bom para ela e bom para ele.
Isso foi dito de forma implícita, mas Caio entendeu.
O avô sabia das coisas sujas que o pai fazia lá fora. O avô não falava abertamente para dar espaço a ele, o neto, e também para deixar o último pingo de decência para a família Mendes.
— Vovô, — Caio perguntou de repente. — E a tia Adriana... o senhor tem tido contato com ela ultimamente?
Houve outro silêncio do outro lado da linha.

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