A porta do elevador se fechou lentamente.
Adilson Ferreira estava encostado na parede da cabine, de olhos fechados.
A palma de sua mão ainda sangrava, pingando gota a gota no chão brilhante do elevador. Aquele líquido vermelho refletia uma luz estranha sob as luzes, dando uma sensação de mau agouro.
Marcos Lima estava ao lado, sem ousar respirar fundo.
Ele olhava para o rosto do chefe, pálido como papel, para o rastro de sangue mal limpo no canto da boca e para os cílios que tremiam levemente naqueles olhos fechados.
Ele queria dizer algo, mas não conseguia dizer nada.
O elevador desceu suavemente.
Os números mudavam um a um.
17, 16, 15...
Finalmente, chegou ao primeiro andar.
A porta se abriu.
Adilson abriu os olhos e saiu.
Seus passos estavam um pouco instáveis, mas suas costas estavam muito retas.
Marcos Lima o seguiu rapidamente e perguntou cautelosamente: — Sr. Ferreira, quer que eu peça ao hotel para chamar um médico para dar uma olhada?
— Não precisa.
A voz de Adilson era muito fraca, tão fraca que parecia vir de muito longe.
Os dois atravessaram o saguão, entraram em outro elevador e voltaram para o 17º andar.
——
Quarto 1707.
A porta se fechou.
Adilson foi ao banheiro e abriu a torneira.
A água fria caiu sobre suas mãos, lavando as manchas de sangue seco. Ele viu a água diluir o vermelho, transformá-lo em rosa e, finalmente, desaparecer.
Ele levantou a cabeça e olhou para si mesmo no espelho.
Aquele rosto, pálido, sombrio, com olhos sem nenhuma temperatura.
Ele levantou a mão e usou a manga para limpar o resto de sangue no canto da boca.

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