Às dez da manhã, na sede do Grupo Mendes, na sala de reuniões do último andar.
A reunião estratégica de três horas havia acabado de terminar. Em ambos os lados da mesa de reuniões oval de mogno, mais de dez executivos se levantaram um após o outro, arrumando os documentos e saindo enquanto conversavam em voz baixa. A sala de reuniões ainda mantinha a atmosfera pesada após a discussão intensa, o ar misturado com o aroma amargo do café e um traço de cheiro de cigarro que não havia se dissipado.
Caio estava sentado na cabeceira e não se moveu.
Ele ainda segurava uma caneta vazia na mão, batendo inconscientemente com a ponta dos dedos na superfície lisa da mesa. A tela ainda exibia o último slide — o plano de expansão internacional para o segundo semestre, com a seta vermelha apontando para os mercados da Europa e da América do Norte, como uma espada desembainhada.
— Sr. Mendes. — Renan entrou de fininho, segurando um tablet e uma pasta.
Caio levantou os olhos, o olhar ainda com a mesma afiação da reunião:
— Fale.
— Duas coisas. — Renan foi até o lado dele e baixou a voz. — A primeira, chegou a notícia do Residencial Vale do Poente de que o Sr. Ricardo quer vê-lo.
Os dedos que batiam na mesa pararam.
O rosto de Caio não tinha expressão, mas Renan pôde sentir que a temperatura do ar ao redor caiu alguns graus.
— Quando foi isso? — Caio perguntou, com a voz calma.
— Hoje de manhã. O Sr. Ricardo fez um escândalo a manhã toda, dizendo que queria vê-lo, que queria saber por que o cartão dele foi bloqueado e por que ele estava preso lá. — Renan fez uma pausa. — O responsável pelo residencial disse que o Sr. Ricardo estava muito exaltado e quebrou várias coisas.
Caio se levantou da cadeira e foi até a janela do chão ao teto. Lá fora estava o movimentado centro financeiro, cheio de prédios altos, e a luz do sol refletia um brilho ofuscante nas fachadas de vidro.
— Diga a ele, — Caio se virou, a voz fria como gelo. — que eu irei quando tiver tempo. Mande-o se comportar, caso contrário, não me importo de deixá-lo morar lá por mais alguns anos.
Renan assentiu:
— Entendido.
— E mais, — Caio voltou para a mesa de reuniões e pegou o paletó. — E o meu avô? Ele ficou sabendo?
— Ficou. — A voz de Renan ficou ainda mais baixa. — O senhor Osvaldo ligou três vezes para o senhor de manhã. O senhor estava em reunião e eu não ousei interromper. O senhor Osvaldo... está muito bravo, principalmente porque o Sr. Ricardo causou esse tipo de problema de novo.
Caio vestiu o paletó, com movimentos lentos e metódicos:
— Como está a saúde do meu avô?
— O senhor Osvaldo está com a saúde forte, mas ficou muito irritado. Ele disse no telefone para o senhor retornar a ligação quando tiver tempo.
Caio assentiu, ajeitando os punhos:
— Qual é a segunda coisa?
Renan abriu a pasta rapidamente, e sua expressão de repente ficou um pouco constrangida:
— É sobre o resultado da amniocentese daquela Tânia. O laudo saiu ontem e foi entregue direto no seu escritório. Eu acabei de confirmar, o resultado da comparação de DNA já foi concluído.
Os passos de Caio pararam.

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