Ramiro viu Marília vestindo apenas uma camisola fina, completamente encharcada, encolhida em um canto, com arranhões vermelhos e frescos nas mãos e nas pernas.
Ele rapidamente desligou o chuveiro, pegou o roupão e cobriu o corpo de Marília, escondendo suas curvas quase expostas.
“Você está bem?”
A voz dele foi firme, mas quando chegou aos ouvidos de Marília, pareceu fraca e distante.
Marília demorou a recobrar o sentido. Ela ergueu o rosto pálido para ele, com os lábios sem cor: “Estou bem.”
“Vou te levar ao hospital.”
Ramiro se abaixou para pegá-la no colo, mas ela se esquivou com rapidez.
Marília mordeu o lábio com força: “Não pode.”
“Todos os hospitais da Serra dos Ventos dependem da família Castilho. Leonel já sabe que voltei; se ele descobrir que tomei remédio, com certeza vai contar para Inácio!”
“Se Inácio souber que havia remédio na bebida, depois vai ser difícil eu me aproximar dele…”
Ela terminou de falar, esforçando-se para manter a respiração estável.
Mais de quatro anos atrás, ela havia simulado a própria morte.
Se não fosse pelas artimanhas de Emílio, nunca teria conseguido enganar Leonel!
Agora, sem Emílio por perto, se ela fosse ao hospital, as pessoas de lá avisariam Leonel imediatamente.
Por isso, Marília preferiu resolver sozinha desde o início.
Antes de entrar, Ramiro já tinha visto a bebida derramada na sala e compreendeu boa parte do ocorrido.
Ele franziu as sobrancelhas: “Mas o seu corpo…”
“Vá pegar um pouco de gelo para mim.”
“Sim.”
Ramiro foi até a cozinha e pegou gelo no freezer.
Jogou um saco de gelo dentro da banheira; o frio cortante trouxe alívio imediato ao corpo de Marília.
Ramiro também trouxe o kit de primeiros socorros.
“Obrigada.” Marília agradeceu sinceramente.
Ramiro não disse nada. Caminhou até a porta e ficou ali, aguardando em silêncio.

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