“Mamãe, você já chegou?”
“Quando eu não estiver em casa à noite, lembre-se de tomar um copo de leite morno antes de dormir.”
“E também, não se esqueça de tomar suas vitaminas... Não durma descoberto à noite, vai acabar pegando frio.”
“Coloquei no seu baú de viagem os bichinhos de pelúcia que eu e o César mais gostamos. Se não conseguir dormir, deixe que eles façam companhia pra você…”
Esse filho mais velho de Marília, quando não queria falar, não dizia uma palavra sequer.
Mas, quando começava a falar, parecia um adulto, sempre cheio de conselhos e recomendações, quase que num tom de insistência, sem que ninguém soubesse de quem teria herdado isso.
Às vezes, Marília sentia que ele é que era o verdadeiro adulto da casa.
“Está bem, mamãe já anotou tudo.”
Só depois de Mário terminar de falar, Marília desligou o telefone, relutante.
Ela sofria de depressão, tinha perda auditiva e ainda estava grávida. Nos primeiros tempos no exterior, ela frequentemente passava noites em claro, sem conseguir comer.
Após o nascimento dos filhos, embora sua doença não tivesse sido curada, seu estado geral melhorou.
Com o tempo, à medida que as crianças cresciam e aprenderam a andar e a falar, ambos começaram a cuidar dela de forma surpreendente.
Eles pareciam ser os verdadeiros salvadores de sua vida...
Marília tomou o leite, depois as vitaminas, e em seguida abriu a mala. Lá estavam, de fato, os dois coelhos de pelúcia, que ainda exalavam um leve aroma de leite.
Naquela noite, Marília deitou-se na cama e, abraçando os bonecos, dormiu profundamente.
Na manhã seguinte, bem cedo.
Marília recebeu uma mensagem.
“Inácio volta hoje. Às 21h, ele vai participar de um leilão beneficente no Serenata Tropical Hotel.”
Antes de voltar para cá, Marília já havia pedido que pessoas no Brasil investigassem Inácio.
Ela sabia que ele estava trabalhando em projetos no exterior e que retornaria em breve, mas não esperava que fosse tão rápido!

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