Isso certamente foi uma coincidência!
Com certeza foi!
Se quem o salvou tivesse sido Marília, por que nunca ouvira ela comentar sobre isso?
E, se realmente tivesse sido ela, então, tudo o que fizera com ela nesses anos...
Leonel fechou o laudo médico de Marília.
Retornou ao próprio escritório.
Ficou sentado ali durante toda a noite.
Na manhã seguinte, Leonel ligou para Mafalda.
“Mafalda, precisamos nos encontrar. Tenho algo para lhe dizer.”
No restaurante privativo, dentro de um salão reservado.
Mafalda chegou muito bem arrumada.
O garçom se aproximou e pegou seu casaco.
O olhar de Leonel se deteve nos dois braços alvos dela, tão lisos, sem nenhuma cicatriz.
Quatro anos antes, o carro dele sofrera um acidente.
Ficara preso dentro do veículo, desacordado e ensanguentado.
Uma jovem, sem temer o perigo, enfiara o braço pela fresta da janela de vidro quebrado e, à força, abrira a porta.
Ao estender o braço, o vidro dilacerara profundamente o antebraço dela; o diretor do hospital afirmara que o ferimento certamente precisaria de pontos...
Por isso, após a recuperação, seria impossível não restar nenhuma marca...
Diante do olhar fixo de Leonel, Mafalda inexplicavelmente se sentiu inquieta.
“Leonel, você disse que tinha algo para me contar. O que aconteceu?”
Leonel então retornou ao presente, desviou o olhar e seu tom ficou mais frio.
“Marília morreu.”
Mafalda ficou atônita.
Logo depois, exclamou surpresa: “Quando isso aconteceu? Foi tão de repente?”
Por fora, demonstrava choque e descrença, mas, por dentro, sentiu uma satisfação inédita.
Marília morrera!

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