Inácio reprimiu à força a intensa sensação de frustração que sentia no fundo do coração, segurou o rosto de Marília com as mãos e a beijou diretamente.
Foi só então que Marília percebeu que as mãos dele estavam feridas e ainda sangravam.
Ela não demonstrou preocupação, mas se afastou dele com firmeza.
“Você se esqueceu do que eu disse? Não vou mais cumprir o acordo que fiz com você.”
Os lábios de Inácio tocaram o rosto dela de lado, e enquanto ouvia essas palavras, sua respiração ficou pesada.
Ele explicou: “Eu devo à Mafalda, preciso pagar essa dívida.”
Dever à Mafalda...
A garganta de Marília pareceu obstruída, como se tivesse um pedaço de algodão que não conseguia engolir nem cuspir: “E você não me deve nada?”
Mafalda havia salvado a vida da mãe dele!
E ela também já o salvara. Por que ele fazia tamanha distinção entre elas?
Inácio não sabia o que se passava no coração dela e pensava que a dívida mencionada por Marília dizia respeito à frieza dos três anos de casamento.
“Eu prometo que, daqui pra frente, vou viver bem com você.”
Foi a primeira vez que ele cedeu a alguém.
Se tivesse ouvido tais palavras cinco anos antes, Marília certamente teria ficado extremamente feliz, mas agora ela não acreditava mais em Inácio.
“Estou cansada, quero descansar.”
Inácio a pegou nos braços e a levou para dentro da casa.
Durante a noite.
Marília foi forçada a permanecer nos braços de Inácio.
Inácio não soube explicar por quê, mas simplesmente não conseguia dormir; toda vez que fechava os olhos, só enxergava o vazio da casa ao retornar naquele dia.
A ferida em sua mão ainda doía um pouco.
Não se sabia quanto tempo havia se passado, quando Marília falou de repente: “Posso perguntar sobre o que aconteceu quando Mafalda salvou sua mãe?”


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