Sob uma luz suave, Marília contemplava o rosto à sua frente, tão familiar, sem saber o que dizer.
Inácio abaixou-se e beijou sua testa.
A mão de Marília, repousada sobre o edredom, foi apertada por Teresa um pouco mais forte.
“Hoje estou um pouco cansada, não quero,” disse ela.
Inácio hesitou por um instante, abraçou-a com mais firmeza e permaneceu em silêncio.
Marília recostou-se em seu peito, podendo ouvir as batidas fortes de seu coração.
“Inácio…”
“Sim.”
“Você ainda se lembra da primeira vez que nos abraçamos?” Marília perguntou de repente.
Ao ouvir isso, Inácio recordou que o primeiro abraço dos dois acontecera na noite de núpcias.
Naquela época, o pai dela havia falecido recentemente, e ele acabara afastando-a.
Sem entender por que Marília tocava nesse assunto subitamente, pensou que talvez ela estivesse ressentida: “O que aconteceu antes, não vai mais se repetir.”
Era raro ele pedir desculpas; aquilo já era um sinal de reconhecimento de erro.
Marília, porém, ergueu os olhos confusa, sem compreender o sentido de suas palavras.
Na verdade, o primeiro abraço entre eles ocorrera quando ela ainda estudava, e ele enfrentou a chuva à noite para buscá-la após ter sido importunada…
Por que aquilo não poderia se repetir?
Marília murmurou para si mesma: “Acho que foi naquele momento que comecei a gostar de você, muito, muito mesmo…”
Mesmo sendo palavras de afeto, Inácio percebeu algo estranho nelas.
Quando se casaram, tinha certeza de que Marília o amava.
Por que então ela dizia que só começara a gostar dele naquela época?
Enquanto ele ainda tentava desfazer sua dúvida, Marília continuou: “Naquele tempo, achava que você era realmente especial. Sempre pensei que eu não estava à sua altura, nunca imaginei que um dia poderia me casar com você.”
O pomo-de-adão de Inácio oscilou visivelmente.


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