Da mesma forma, por volta das quatro da manhã, ele recebeu uma ligação de Giselda.
“Emílio, você poderia me ajudar a dar uma olhada na Marília? Acabei de ter um sonho estranho.”
Emílio sentou-se na cama: “Que sonho foi esse?”
“Sonhei que algo ruim aconteceu com Marília. Ela apareceu toda molhada de chuva na minha frente, pedindo para eu não esquecer de buscá-la para voltar para casa.”
Enquanto Giselda falava, as lágrimas caíram involuntariamente: “Estou com medo de que algo tenha acontecido com ela. Liguei, mas ninguém atendeu.”
“Alguns dias atrás, ela me pediu para buscá-la no dia quinze.”
“Estou sentindo que algo está muito errado…”
Emílio, ao ouvir tudo aquilo, lembrou-se do comportamento recente de Marília e, aflito, vestiu-se rapidamente.
“Não se preocupe, vou procurá-la agora mesmo.”
As duas casas ficavam bem próximas.
Dez minutos depois, Emílio chegou ao local, abriu a porta e encontrou um silêncio anormal.
O quarto de Marília estava com a porta aberta, completamente vazio.
Ela não estava lá.
Naquele momento, para onde ela poderia ter ido?
Ao lado do travesseiro, havia dois envelopes. Emílio pegou-os e, ao abri-los, percebeu que se tratava de dois testamentos.
Um deles era destinado a ele.
“Emílio, já depositei o aluguel na sua conta, obrigada por cuidar de mim esses dias.”
“Você sabe, desde que cheguei a Serra dos Ventos, não fiz nenhum amigo. Antes de reencontrá-lo, achava que eu era uma pessoa tão ruim que nem amigos conseguia ter.”
“Ainda bem que nos reencontramos. Você me fez perceber que eu não era tão ruim assim, muito obrigada mesmo… Por favor, não fique triste, só estou indo encontrar meu pai, ele vai cuidar de mim.”
O outro testamento era para Giselda.
Ao abrir, Emílio encontrou, na última linha, o endereço deixado para Giselda.
Emílio saiu correndo imediatamente.
De lá até a zona oeste não era longe, pouco mais de vinte minutos de carro.
Mas para Emílio, parecia uma eternidade.
Ele não entendia como alguém que antes brilhava tanto aos seus olhos, tão radiante quanto a luz, poderia escolher esse caminho.
Ao mesmo tempo, outra pessoa também se dirigia à zona oeste: Helena.
Porém, Helena estava indo atrás de Marília por causa de trezentos milhões de reais, para levá-la ao casamento…
Cemitério da zona oeste.
Chovia torrencialmente.
Marília estava caída diante de uma lápide, a chuva pesada lavando sem piedade seu corpo. Seu vestido longo estava completamente encharcado, e ela parecia frágil como uma folha ao vento, prestes a desaparecer do mundo.
Emílio correu sob a chuva em direção a Marília.
“Marília!!”
No ar, só se ouvia o vento e a chuva. Sem obter resposta, ao se aproximar, Emílio percebeu, ao lado dela, um frasco de remédio vazio.
Com as mãos trêmulas, Emílio agarrou Marília em seus braços.
Como ela estava tão leve?!

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