“Eu não pude aceitar o que a senhora pediu.”
Helena não esperava uma recusa direta e ficou furiosa imediatamente.
“Com que direito você recusa? Foi eu quem lhe dei a vida!”
Diante dessas palavras, Marília olhou fixamente para ela: “Se eu devolver minha vida à senhora, então não lhe devo mais nada?”
Helena ficou atônita mais uma vez.
“O que você disse?”
Com os lábios pálidos, Marília respondeu suavemente: “Se eu devolver minha vida à senhora, a partir daí, a senhora deixará de ser minha mãe e eu não lhe deverei mais nenhuma gratidão por me ter dado à luz?”
Helena não acreditou nem um pouco e soltou um sorriso frio: “Está bem.”
“Se você devolver sua vida para mim, eu não a pressionarei mais!”
“Mas você teria coragem?”
Marília parecia ter tomado uma decisão: “Me dê um mês.”
Helena achou que ela estava completamente fora de si.
“E não tente me chantagear com sua morte. Você e eu não somos próximas, se morrer, morreu. Se não tiver coragem de morrer, lembre-se de assinar.”
O sentimento de opressão chegara ao limite e precisava encontrar um lugar para extravasar.
Bar.
Marília sentou-se em um canto bebendo, observando as pessoas ao redor dançando e cantando alegremente, totalmente alheia ao ambiente.
Um homem de olhos expressivos e rosto bonito percebeu que ela estava sozinha e se aproximou.
“Você é a Marília?!”
Marília olhou para ele, mas não o reconheceu, e perguntou, como que por impulso: “Você sabe como se sentir feliz?”
O homem ficou confuso: “O que você disse?”
Marília continuou bebendo: “O médico disse que estou doente, que preciso ser feliz, mas… eu não consigo…”
Ao ouvir isso, Emílio Nunes sentiu-se desconfortável.
Ela não se lembrava dele?
E que doença seria essa, que exigia que ela fosse feliz?
“Moça, para buscar felicidade, não deveria vir a um lugar como este.”
“Vou levá-la para casa”, disse ele com delicadeza.
Marília sorriu para ele: “Você é realmente uma boa pessoa.”
O sorriso amargo dela deixou Emílio com sentimentos confusos, sem saber o que ela teria vivido nos últimos anos.
Parecia especialmente triste.
Em outro canto, Inácio também se encontrava ali.
Desde o divórcio com Marília, ele vinha se entregando todas as noites e já fazia muito tempo que não voltava ao Terraço do Atlântico.
Já era tarde, e o grupo se preparava para ir embora.
Mafalda notou uma figura familiar num canto.
Ela exclamou surpresa: “Não é a Sra. Sampaio?”
Inácio olhou na direção indicada e viu um homem conversando animadamente com Marília.
Seu semblante mudou imediatamente para um olhar sombrio.
Bebendo em bar e ainda acompanhada por outro homem.
Ele realmente superestimava Marília!
“Inácio, quer ir perguntar?” sugeriu Mafalda.
“Não é necessário.”
Inácio respondeu friamente e saiu apressado.
Marília recusou a oferta de Emílio para levá-la e disse: “Posso ir sozinha, não precisa se incomodar.”
Preocupado, Emílio a seguiu quando a viu sair.
“Marília, realmente não se lembra de mim?”
Marília olhou para ele, sem conseguir lembrar quem era.
“Gordinho, esqueceu?” Emílio lembrou.

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