Melina Barbosa se levantou, soltando risadas cristalinas. Cada vez que seu corpo balançava, o coração de Gustavo Ferreira se apertava, como se uma mão invisível lhe agarrasse o peito, tornando sua respiração mais lenta.
— Não se mexa desse jeito.
Mal Gustavo Ferreira terminou de falar, Melina Barbosa abriu os braços e anunciou:
— Vou decolar agora!
Assim que Gustavo Ferreira se apressou para alcançá-la, Melina Barbosa pousou tranquilamente em seus braços.
Com os braços em volta do pescoço de Gustavo Ferreira, Melina Barbosa riu ainda mais:
— Que divertido, que divertido!
Gustavo Ferreira pensou consigo mesmo que não havia nada de divertido naquilo.
Por pouco, não teve um susto de morte momentos antes.
Melina Barbosa insistiu:
— Foi incrível, vamos brincar de novo?
Gustavo Ferreira, sentindo o coração quase sair pela boca, só conseguia pensar em como não aguentaria outra rodada.
— Presidente Gustavo, o carro já está pronto...
Antes que o motorista terminasse a frase, Melina Barbosa gritou de repente:
— Ah! O Ultraman chegou, precisamos fugir!
O motorista, de óculos refletindo a luz do poste, virou alvo da imaginação de Melina Barbosa, que o transformou em Ultraman.
Se ele era o Ultraman, então o que seriam eles, que precisavam fugir ao vê-lo?
Gustavo Ferreira já intuía a resposta, mas não resistiu em perguntar:
— Nós não conseguimos enfrentá-lo?
— Não! Você é o monstro do poste, e eu sou o monstro-pássaro, somos muito fracos. Vamos fugir!
Dizendo isso, Melina Barbosa agarrou a mão de Gustavo Ferreira e saiu correndo com ele.
Gustavo Ferreira olhou para a mão de Melina Barbosa, branca e delicada, apertando a sua com força.
Seguindo com os olhos pela mão dela, Gustavo Ferreira chegou até o rosto de Melina Barbosa.
Ela também virou-se para ele, e sob a luz alaranjada do poste, Melina Barbosa sorria, como se seu rosto inteiro brilhasse.
As árvores secas e frias à beira da rua pareciam, de repente, ganhar vida e cor, como se a primavera tivesse chegado ali num instante, enchendo tudo de alegria.
O coração de Gustavo Ferreira afundou como se tivesse sido lançado em um lago gelado.
— Canalha, suma daqui! — gritou Melina Barbosa de repente. — Mateus Domingos, Roberto Barbosa, vocês dois são um lixo, sumam, canalhas!
Talvez por causa da agitação, ela abriu os olhos de repente.
Gustavo Ferreira não esperava por isso, e seus olhares se encontraram.
Com os olhos semicerrados, ao reconhecer Gustavo Ferreira, Melina Barbosa jogou-se em seu colo, abraçando-o:
— Bonitão, meu belo preferido!
Ela o afastou um pouco, analisando-o com atenção:
— Você me parece tão familiar... se parece com meu querido marido.
O coração de Gustavo Ferreira, antes congelado, começou lentamente a se aquecer, trazendo-lhe uma sensação reconfortante:
— O que você disse?
Melina Barbosa, num gesto espontâneo, deu um beijo estalado no rosto de Gustavo Ferreira:
— Eu amo tanto meu marido, amo tanto, tanto...

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