Tatiana, depois de um tempo, percebeu que quase tinha acabado de comer o prato inteiro, enquanto Guilherme, sentado à sua frente, mal tinha tocado nos talheres.
Se sentindo um pouco constrangida, ela tentou mudar de assunto para disfarçar.
- Certo, por que não vi o Severino?
Guilherme parecia mais interessado nas bebidas do restaurante. Enquanto servia comida para Tatiana, já tinha bebido mais da metade do copo.
Ao ouvir a pergunta de Tatiana, ele levantou o olhar e disse:
- Por quê? Você precisa falar com ele?
Desde que chegaram à Cidade CH, na maioria das vezes, só os dois saíam para passear.
Apenas o jantar da noite passada foi compartilhado pelos três, então a menção de Tatiana foi um pouco surpreendente.
Tatiana percebeu o constrangimento e pegou uma fruta da mesa.
- Não é nada importante, só me lembrei de repente. Antes, no hotel, vimos ele, não é? Achei que ele fosse se juntar a nós hoje.
Guilherme soltou uma leve risada ao ouvir isso e, abaixando o olhar, notou a pilha de cascas de camarão na frente dela.
- Srta. Taís, você já quase terminou a comida e só agora se lembrou do Severino? Não acha que é um pouco tarde demais...
- Cala a boca!
Antes que Guilherme pudesse terminar a frase, Tatiana o interrompeu apressadamente. Guilherme não parecia ofendido; pelo contrário, o sorriso em seu rosto ficou ainda mais evidente, um claro sinal de que ele estava se divertindo às custas dela.
- Eu sugiro que a Srta. Taís pense menos no Severino. Afinal, visitar o médico não é uma boa coisa.
Tatiana observou a expressão satisfeita de Guilherme e reprimiu todas as palavras que queria dizer.
Ele finalmente estava de bom humor, então ela achou melhor não o provocar.
A refeição acabou não sendo tão desagradável quanto ela imaginava; na verdade, havia uma certa harmonia indescritível.
O tempo que passaram juntos foi tranquilo.
Se ignorasse o que havia acontecido pela manhã, Tatiana achava que passear com Guilherme era uma coisa muito agradável.
Ele não reclamava de cansaço após visitar algumas lojas, e até a ajudava a escolher.Mais importante ainda, pagava as compras com muita disposição e se oferecia para carregar as sacolas.
Tatiana, conhecendo o temperamento do jovem senhor, sentia um certo nervosismo ao ver seu comportamento tão inesperado.
- Acho que já nos divertimos bastante. Não deveríamos voltar agora? - Perguntou ela.
Até aquele momento, já haviam comprado muitas roupas, vestidos e sapatos.
Com as sacolas diante de si, Tatiana ainda estava incrédula. Ela realmente havia passado a tarde inteira fazendo compras com Guilherme?
Depois que saíram do restaurante, ela ficou um pouco indiferente, decidida a acompanhar seu jogo de fingir que nada tinha acontecido.
No entanto, ao ver roupas e sapatos bonitos, se esqueceu de tudo e começou a tratar o jovem senhor como um guarda-costas.
Agora, cansada de tanto andar, ela se deu conta do que havia feito. Estava apavorada!
Guilherme não sabia o que ela estava pensando, mas ao ver sua expressão cansada, percebeu que a jovem estava exausta.
Afinal, já haviam percorrido duas ruas inteiras. Até ele estava cansado, quanto mais ela, que sempre se queixava de cansaço.
- Se está cansada, vamos voltar ao hotel. - Disse Guilherme com uma atitude tão gentil que deixou Tatiana surpresa.
Segurando o pequeno chapéu de palha, Guilherme encontrou o olhar enigmático de Tatiana.
Ele não demonstrou nenhuma reação especial, permaneceu despreocupado e relaxado como sempre.
- Aqui está, Srta. Taís, coloque ele e cuide bem dele. O dono disse que é o último, talvez não consiga comprar outro depois.
Com uma só mão, ele colocou delicadamente o pequeno chapéu na cabeça de Tatiana, parecendo bastante satisfeito com o resultado e ficou ali observando ela por um momento.
Seu olhar desceu até o rosto cansado e um pouco pálido de Tatiana. Foi só então que ele percebeu que algo não estava certo.
Guilherme ajustou o chapéu para cima, de modo que pudesse ver melhor o rosto dela.
- Ainda não se recuperou? Quer que eu te carregue de volta?
Quando estavam nas montanhas de Lago, ele muitas vezes a carregou pelas trilhas.
Embora seu tom de voz fosse uma pergunta, não parecia estar realmente pedindo a opinião de Tatiana. Nas entrelinhas, ele já havia decidido que a carregaria.
No entanto, antes que ele pudesse se aproximar, a jovem à sua frente fez um gesto com a mão e recuou um passo.
- Você não quer? - Sussurrou ele.
O rosto de Guilherme escureceu.
Tatiana balançou a cabeça, seus passos foram impedidos pela árvore do canteiro na beira da estrada.
Ela abriu a boca para falar, mas o desconforto no estômago a fez virar instintivamente, segurando a árvore enquanto vomitava todo o almoço.
O rosto de Guilherme ficou completamente sombrio.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Após divórcio, ex-marido implora por reconciliação todo dia
Capítulo 535… Diz que o livro está cheio concluído, mas não está...
Por favor, continuem esse livro!...