Qual seria esse tipo de sentimento? - Perguntou Tatiana, confusa.
Tatiana não sabia.
Ela só sabia que, ao baixar os olhos novamente para o anúncio no celular, seu coração ainda estava incrivelmente chocado.
Desde que Carolina voltou para a família Garrote, embora oficialmente ela ainda fosse a jovem senhora da família, muitos a chamavam de bastarda indesejada por trás.
Até mesmo os pais da família Garrote já haviam dito isso sobre ela em segredo.
Assim, era natural que, quando ficava sozinha, Tatiana não parasse de imaginar que era uma criança que os pais haviam perdido acidentalmente e que, mais cedo ou mais tarde, eles viriam buscar ela.
E agora a verdade estava bem diante dela, ela realmente tinha parentes consanguíneos no mundo.
Ou seja, ela tinha pai, mãe, irmãos e irmãs.
Apesar do choque, o coração de Tatiana não experimentou outras emoções.
Completamente diferente da emoção de encontrar parentes que ela havia imaginado, além da tempestade inicial em seu coração, ela rapidamente se acalmou.
Parecia que era assim que deveria ser.
Ela era... A irmã deles.
Depois de aceitar completamente essa notícia, o garçom do restaurante trouxe a comida.
Ao ver o café da manhã que Eduardo pediu para ela, as preocupações que ainda pairavam em seu coração desapareceram.
Cada um dos diversos pratos era algo que ela gostava de comer.
Embora Tatiana não fosse exigente com a comida, ela tinha suas preferências.
Se na mesa havia algo de que gostava, comia um pouco mais naturalmente. Caso contrário, não comeria muito, mas também não desperdiçaria jogando comida fora.
Durante os muitos dias que passou com Guilherme, o café da manhã era ou macarrão com ovo cozido de qualquer jeito, ou lanches comprados fora, e ela estava quase morrendo de tanto comer pão.
Ocasionalmente, Severino trazia algum tipo de sopa com macarrão, mas nunca era satisfatório, e Guilherme nem sequer olhava para isso.
A comida com uma camada de óleo vermelho por cima era naturalmente desprezada pelo jovem mestre, o que significava que ela também não podia aproveitar, sendo forçada a se contentar com um macarrão com repolho onde mal se via o caldo.
Na opinião dela, a vida era curta e todos deveriam ter alguns prazeres.
Ela não parecia ter grandes ambições, se lembrando dos anos em que parecia estar sempre correndo atrás de alguém.
Agora, o irmão desconhecido diante dela dizia que essa pessoa talvez não fosse quem ela imaginava.
Parecia que nem mesmo sabia o que desejava em seu coração.
Ainda havia algum significado?
Certamente havia.
Não falemos das paisagens montanhosas, apenas os alimentos desprezados pelo jovem mestre poderiam ser considerados uma forma de busca.
Com o coração aliviado, Tatiana deixou de se prender ao passado.
Ela pegou os talheres e começou a comer tranquilamente, sem se preocupar se o café da manhã era saudável.
Se fosse gostoso, isso bastava, independentemente do que fosse.
Eduardo, do outro lado da mesa, a observando, deu uma risada.
- Agora você acredita em mim? - Perguntou Eduardo.
Tatiana levantou o olhar e o encarou.
- Acredito, mas sua atitude é terrível e você precisa melhorar. - Respondeu Tatiana.
De qualquer forma, naquele momento, para Tatiana, Eduardo não passava de um estranho que ela estava conhecendo pela primeira vez.
Comparado a Guilherme, com quem ela tinha convivido por um tempo, era evidente que o último tinha mais confiança em seu coração.
Eduardo já havia terminado sua parte há muito tempo e, vendo que Tatiana estava satisfeita, não a perturbou e apenas ficou mexendo em seu celular.
Ao ouvir a forma estranha como ela o chamou, levantou os olhos com uma expressão incerta.
Quando viu que ele a olhava, Tatiana voltou a falar.
- O que eu faço com o que não comi? Posso levar para casa? - Perguntou Tatiana.
Só porque o jovem mestre não queria comer, não significava que outras pessoas não queriam. Severino provavelmente não se importaria.
Enquanto se sentia feliz por não desperdiçar comida, ouviu uma pergunta vinda do outro lado.
- Você vai levar a comida para onde? - Perguntou Eduardo.
- Claro que para o hotel! - Respondeu Tatiana, como se fosse óbvio.
Assim que falou, percebeu que havia algo errado, especialmente quando viu o rosto de Eduardo escurecer completamente.
Ela já estava pronta para ser repreendida, percebendo que ele não tinha um temperamento muito bom.
A jovem franziu a testa, abaixou a cabeça e evitou o olhar dele, como uma avestruz tentando se esconder.
Era sempre assim quando Eduardo olhava para ela. Ele estava tão irritado que queria rir.
Ele se sentiu um pouco sem saída e, enquanto ponderava, murmurou com os olhos profundos.
- Eu entendo que, depois de perder a memória, você tenha uma certa dependência das pessoas ao seu redor, então é compreensível que você queira voltar para falar com aquela pessoa. Mas Taís, eu espero que você entenda que, independente de suas lembranças, nós ainda somos sua família que te ama, e isso nunca vai mudar. Se você quiser voltar ao hotel para ver ele, espere Alê chegar e nós iremos com você. Mas eu espero que você venha conosco para a Cidade B, nossos pais estão esperando por você. - Explicou Eduardo.
Esperando que ela volte para casa.
E não apenas por um ou dois dias.
Foram noites e dias desde que souberam de seu desaparecimento, preocupados com como ela estaria se virando longe de casa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Após divórcio, ex-marido implora por reconciliação todo dia
Capítulo 535… Diz que o livro está cheio concluído, mas não está...
Por favor, continuem esse livro!...