O coração de Tatiana afundou.
Embora não quisesse acreditar, ela acabou dando uma resposta a si mesma.
O homem diante dela, que ainda era razoavelmente bom para ela, poderia já não ser mais o Lorenzo que ela lembrava.
As pessoas mudavam, não é mesmo?
Talvez, no período de memória que ela havia esquecido, ele tivesse feito algo mutio ruim para ela, algo que até a fizesse sentir nojo e repulsa.
Ou talvez as cicatrizes que ela carregava fossem causadas por ele.
Por causa do remorso, ele poderia estar sendo gentil com ela.
E havia ainda a questão com Carolina...
Ele claramente gostava tanto de Carolina antes, mas agora, sempre que aquele nome era mencionado, sua expressão se tornava sombria, sugerindo que talvez algo desagradável tivesse acontecido entre eles.
Ou talvez fosse algo entre ele e Carolina que instintivamente a fizesse sentir uma antipatia e repulsa.
Claro, tudo isso era possível, mas agora ela não podia fornecer uma resposta concreta.
Ela só sabia que agora tinha uma aversão instintiva a algumas das aproximações dele.
No entanto, ela não continuou se atormentando com aquela questão.
Rapidamente, ela encontrou uma resposta mais fácil de aceitar.
Se o destino fez com que ela esquecesse o passado, então talvez aquelas memórias não fossem boas.
Se fosse assim, talvez fosse a vontade do destino que eles tivessem outra chance.
O passado não podia ser mudado.
Ela não podia recusar uma pessoa real que estava diante dela, alguém que a protegia, que a ensinava a não se desculpar pelos erros dos outros.
Ela pensou que talvez precisasse conhecer Lorenzo novamente.
Então Tatiana reprimiu o desgosto que havia surgido em seu coração e se esforçou para pensar nos dias que passaram juntos ali.
Sua paciência.
Sua preocupação e cuidado.
E todo o seu carinho.
Ela pensou nisso e acelerou o passo para alcançar Guilherme.
- Loh, eu estava pensando, e mesmo que você tenha me ensinado a não pedir desculpas o tempo todo, ainda sinto que devo me desculpar pelo que aconteceu agora. Eu estava...
Guilherme a interrompeu bruscamente antes que ela pudesse terminar:
- Tatiana, temos coisas importantes para fazer, não fale dessas bobagens.
A decepção inundou seu peito, e a alegria de querer recomeçar foi completamente substituída por uma amargura sufocante.
Parecia que tudo não passava de uma ilusão criada por ela mesma.
Tatiana ficou parada, precisou de um momento para se recompor.
Maldito seja, não era de admirar que ela o detestasse!
Ele realmente era insuportável.
Homem nojento!
Bem, ele queria lidar com assuntos importantes, ela não iria incomodar.
"Bem a calhar, eu também tenho coisas importantes a fazer, e quando for hora de arrumar as malas, eu certamente não vou ajudar." Tatiana pensou com uma birra infantil.
Ela não falou mais com Guilherme e se virou para entrar na casa.
Nesse momento, Severino saiu da cozinha.
Ele entrou na sala e viu a cena.
A Srta. Tatiana caminhava irritada para dentro de casa, sem nem o cumprimentar; Mestre Guilherme, por outro lado, estava ocupado com o celular, com uma expressão sombria, como se alguém lhe devesse dinheiro e não tivesse pago.
Aqueles dois, que estavam tão afetuosos e íntimos pouco antes, pareciam incomodados com a presença dele.
Mas, antes que Severino pudesse pensar mais a respeito, foi interrompido pela voz grave do homem:
As roupas que ela podia usar, ela dobrou e colocou na mala; as roupas limpas que não usaria mais, ela dobrou e deixava de lado, planejando colocar em uma caixa de doação na cidade no dia seguinte.
Ela não tinha muitos itens pessoais, afinal, não havia ficado muito tempo ali, e como estava se recuperando, não usou produtos de beleza, então, após embalar as roupas, ainda sobrava um pequeno espaço na mala.
Se fosse antes, ela teria uma área para eletrônicos, outra para produtos de higiene e cuidados pessoais, e outra para roupas de troca, e normalmente não sobraria espaço para mais nada.
Mas agora ela tinha pouca coisa.
- Tati, no que você está pensando? - Disse Guilherme, interrompendo seus devaneios.
Ela se virou para olhar o homem que se apoiava no umbral da porta do quarto. Seu rosto, antes cheio de esperança, se fechou, e ela virou a cabeça e se inclinou para fechar a mala.
Guilherme estreitou os olhos e, com suas longas pernas, caminhou em direção a Tatiana.
O velho pátio já era um pouco sombrio, e a figura alta de Guilherme, parada diante dela, quase completamente bloqueou a luz do sol.
Ela parecia ainda mais irritada do que antes.
- O que você está fazendo? - Perguntou ela. - Você está bloqueando minha luz.
Guilherme lançou um olhar para a mala dela e disse:
- Você já terminou de se arrumar, mesmo que eu bloqueie a luz, não deve importar. Ou será que você simplesmente não quer me ver?
Tatiana apertou os lábios e permaneceu em silêncio.
Ela tinha falado calmamente com ele, mas ele havia sido muito rude.
Apenas um pouco antes, ele havia lhe dito palavras de carinho carregadas de ambiguidade, e até tentou lhe beijar.
Mas, de repente, ele se tornou frio e cruel.
Afinal, homens bons eram uma raridade!
Guilherme também se irritou e disse com um tom de voz gelado:
- Me responda.
Ele detestava quando mulheres perdiam a paciência com ele.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Após divórcio, ex-marido implora por reconciliação todo dia
Capítulo 535… Diz que o livro está cheio concluído, mas não está...
Por favor, continuem esse livro!...