- É mesmo? - Guilherme hesitou por um momento. - Então, Tati, me diga, o que mudou em mim?
Tatiana olhou para o rosto familiar à sua frente, claramente confusa.
- Eu...
Embora fosse idêntico ao que lembrava, algo parecia estranho, como se aquele tom de voz não pudesse vir de Lorenzo.
Mas se não era Lorenzo, quem mais poderia ser?
Ela balançou a cabeça e disse:
- Não consigo explicar direito, só sinto que você está um pouco diferente. Além disso, Loh, você...
Guilherme insistiu:
- Além disso, o quê?
Tatiana mordeu o lábio, visivelmente triste.
- Além disso, você gostava da Carolina, ficava impaciente ao me ver, até me pediu para ficar longe de você. Por que agora está aqui cuidando de mim?
Ela estava claramente abalada, relutante em olhar para o homem à sua frente, seus olhos caíram sobre o cobertor que ele havia acabado de arrumar.
Guilherme riu levemente e disse:
- Carolina? Então você se incomoda tanto com aquela mulher?
Havia um tom de escárnio em sua voz.
Não estava claro se ele estava zombando de Tatiana ou de si mesmo.
Tatiana levantou a cabeça, confusa, e olhou para o homem à sua frente.
Claro que ela se importava. Desde que Carolina havia retornado à família Garrote, tudo mudou.
Sua mãe já não a tratava com carinho, seu pai, que já era distante, se tornou ainda mais frio, e até seus amigos de infância se afastaram.
O mais doloroso era o homem diante dela, aquele que desde pequena pensava que um dia se casaria.
Tatiana sabia que era por causa de sua posição, por ter ocupado o lugar de outra, mas ainda assim doía muito.
Ela não entendia por que, depois de tantos anos de carinho com Lorenzo, ele a havia descartado tão facilmente.
Tudo por causa de sua identidade atual?
A escolha não havia sido dela.
Ela já havia pensado em deixar a família Garrote, mas eles disseram que a adotariam, seu registro civil e outros documentos estavam com eles.
Por que tudo agora parecia ser sua culpa?
Tatiana se sentia injustiçada, mas não ousava expressar seus sentimentos na frente do homem.
Ser adotada já era uma grande benção, e falar mal dos pais adotivos seria desrespeito.
Ela se considerava sortuda por ter chegado à idade atual, era isso que dizia a si mesma.
Guilherme a observou por um momento e suspirou suavemente.
Aquela mulher costumava chorar tanto assim?
Era difícil imaginar que a Srta. Taís que o havia insultado nas montanhas do Lago, e até o arrastou para o fundo de um lago profundo, poderia ser a mesma pessoa.
A mulher diante dele parecia uma ovelha pronta para o abate.
Guilherme ficou curioso sobre como a família Orsi transformou uma ovelha frágil numa fênix arrogante.
Ele bateu na mesa e disse:
- Primeiro, eu não tenho mais nenhum vínculo com a Carolina, então peço que não mencione mais o nome dela e não permita que isso afete suas emoções.
Tatiana piscou, parecendo não compreender completamente suas palavras.
Então, ele estendeu um celular em sua direção e disse:
Sua voz era sensata e humilde, e cada gesto carregava um ar de conciliação.
Seu sorriso era tão belo que parecia irritar Guilherme.
De repente, ele sentiu falta da Srta. Taís, que o repreendia sem cerimônias.
Mas ele também queria manter aquela mulher por perto, quase como uma marionete.
Ele não disse nada, apenas murmurou uma resposta e, com o rosto inexpressivo, se virou e saiu da cabine.
Assim que a porta se fechou, o sorriso no rosto da mulher sentada na cama lentamente se desfez.
Ela baixou a cabeça novamente, olhando para os braços cobertos de cicatrizes, envoltos em melancolia.
Guilherme naturalmente não foi à cozinha.
Ele não estava muito faminto, e na cozinha não havia muito o que comer.
Mas Tatiana deveria estar bem devido ao soro.
Mesmo se estivesse fome, pular uma refeição não faria mal.
Ele voltou ao convés, um tanto sem rumo.
As notícias na internet já haviam sido publicadas sobre o incêndio.
Claro, elas apenas descreviam objetivamente o incêndio acidental, sem mais detalhes. Naturalmente, não mencionariam o que causou o incêndio explosivo, nem as vítimas.
Guilherme pegou seu celular e deslizou a tela sem muito interesse, em sua mente apenas havia a face de Tatiana.
Ele desligou o celular e levantou os olhos para ver o médico caminhando em sua direção.
- Daqui a pouco vá ver como ela está, a memória dela parece estar presa cinco anos atrás, tente descobrir se ela realmente perdeu a memória ou se está fingindo. - Instruiu ele.
O homem de jaleco branco ajustou os óculos, um sorriso surgiu em seu rosto.
- Mestre Guilherme, você ficou tanto tempo no quarto e ainda não descobriu?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Após divórcio, ex-marido implora por reconciliação todo dia
Capítulo 535… Diz que o livro está cheio concluído, mas não está...
Por favor, continuem esse livro!...