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Após divórcio, ex-marido implora por reconciliação todo dia romance Capítulo 445

No cais de travessia do rio da Cidade R.

Ao lado do armazém, se ergue uma casa térrea que parece um pouco desgastada pelo tempo.

Era hora do almoço e o aroma da comida escapava pelos corredores, se misturando com a névoa sobre o rio.

Um leve cheiro de medicamento se fundia ao odor dos alimentos, mas era difícil de perceber.

No final do corredor da casa, Zeca estava na porta de um quarto, segurando uma caixa estreita e hesitando em entrar.

- Senhor Guilherme, trouxe as coisas de volta. - Disse Zeca.

Contrariando a aparência deteriorada da casa, o interior do quarto, embora pequeno, era completamente equipado, comparável a um hotel cinco estrelas.

Guilherme estava sentado no sofá junto à parede.

Neste profundo outono, ele estava sem camisa, as cicatrizes marcadas em seu torso e abdômen, especialmente a ferida no abdômen, que mostrava um tom marrom-escuro após ser medicada, junto com a cicatriz feroz, se tornava ainda mais assustadora.

Ele estava ocupado aplicando medicamento em si mesmo, enrolando bandagens ao redor do corpo.

Ao ouvir um som na porta, ele nem levantou a cabeça.

- Coloque na mesa. - Disse Guilherme.

Dentro da caixa não havia nada além da pistola que ele tinha colocado na palma da mão de Tatiana no Lago das Montanhas, e que havia sido levada pelas pessoas da família Borges. Ele, é claro, tinha seus meios para recuperar ela.

- Tem mais alguma coisa? - Perguntou Guilherme.

Guilherme rapidamente terminou de bandajar a ferida do abdômen e ignorou os outros ferimentos.

Essa ferida específica foi causada por um choque contra uma pedra no lago e estava severamente inflamada, necessitando de cuidado imediato.

Quanto aos outros ferimentos, adquiridos numa briga com alguns arruaceiros três dias atrás, eram apenas lesões superficiais, um pouco de medicamento era suficiente, e ele realmente não dava importância.

Depois de cuidar da ferida no abdômen, ao ver que a pessoa na porta ainda não havia saído, Guilherme o encarou.

Zeca estava parado na porta, hesitante.

- Ouvi dizer que o velho veio para Cidade R, ele até se encontrou com a Senhora Nanda e Lorenzo. - Comentou Zeca.

Ele deu a entender com suas palavras, sem entrar em mais detalhes.

Guilherme parou por um momento ao ouvir isso, e logo entendeu o que ele queria dizer.

Ele riu zombeteiramente.

- Esse velho raposo não pode causar nenhum rebuliço, você não precisa se preocupar com ele. - Disse Guilherme.

Zeca, por outro lado, estava ansioso:

- Mas Sr. Guilherme, se o velho ver o Lorenzo, e se o Grupo Borges cair nas mãos dele? - Indagou Zeca.

Isso não seria o mesmo que tirar o Guilherme do jogo?

Guilherme, no entanto, estava totalmente despreocupado.

- Você acha que, nas mãos do Lorenzo, eles conseguirão o que querem? Meu querido irmão, ele não é de se subestimar. - Respondeu Guilherme.

Era fácil adivinhar o que aquele grupo de velhos raposos pensavam.

Eles já não tinha mais capacidade de o controlar, então queriam alguém que fosse obediente e compreensivo.

Ou talvez queiram fazer ele competir com seu tolo irmão, para depois escolherem alguém ainda mais frio e adequado para controlar.

Eles realmente achavam que a sucessão do Grupo Borges era um trono que precisava ser herdado.

Zeca só pensava na disputa entre os dois irmãos, e estava convencido de que a vinda de Guilherme a Cidade R era para competir com Lorenzo.

Mas agora, a maior parte das pessoas da Cidade R foi tirada por Lorenzo, e Guilherme também acabou nesta situação, parecendo ser abandonado por aquele grupo de velhos raposos, o que o deixava ansioso.

- Sr. Guilherme, estamos em uma situação desvantajosa, não seria melhor pensar em outra solução? - Questionou Zeca.

- Que situação desvantajosa? - Indagou Guilherme.

Ele fingiu não entender as palavras de Zeca, se inclinou para pegar o revólver sobre a mesa de centro e começou a girar ele nos dedos.

De repente, ele levantou a mão apontando o cano da arma para Zeca, silenciando ele junto com suas palavras.

Zeca se assustou bastante, esquecendo momentaneamente o que ia dizer, e começou a dissuadir.

- Mestre Guilherme, guarda isso, por favor! Se a arma disparar, vai ser um desastre! - Afirmou Zeca, preocupado.

Guilherme riu zombeteiramente e casualmente colocou a coisa de volta.

- Os médicos não disseram exatamente o que está acontecendo, mas segundo os dados observados diariamente, o corpo da Srta. Taís está bem. Disseram que, assim que ela acordar, basicamente não haverá problemas. - Disse Zeca.

- Qual é o hospital? - Perguntou Guilherme.

- Hospital da Providência, é o hospital da família Lacerda. - Respondeu Zeca.

- Incompetentes! - Gritou Guilherme.

Zeca não ousava concordar, apenas baixava a cabeça para não olhar para Guilherme naquele momento.

O jovem mestre, quando se enfurecia, podia rivalizar com os velhos astutos da família Borges.

Ele também não ousava retrucar, só podia baixar a cabeça e suportar em silêncio.

Guilherme estava com uma expressão sombria, pegou um bibelô qualquer na mesa de centro e o apertou nas mãos.

- Como estão os ferimentos dela? - Perguntou Guilherme.

Zeca tinha visto o prontuário de Tatiana e não escondeu.

- Disseram que o pior ferimento foi a fratura de duas costelas, mas os outros são apenas escoriações superficiais, nada grave. - Respondeu Zeca.

Ao ouvir isso, Guilherme o lançou um olhar frio.

- Apenas duas costelas quebradas? “Apenas”? - Indagou Guilherme.

Foi então que Zeca percebeu o quão inapropriado fora seu tom.

Mas ele só queria gritar que era uma injustiça, pois o Mestre Guilherme, no passado, não se importava com a gravidade de seus próprios ferimentos, se fossem duas costelas dele, para este jovem mestre, não passaria de uma trivialidade.

E porque a vítima era outra pessoa, ele não tinha percebido isso de imediato.

Por sorte, Guilherme não o culpou, o que deixou Zeca aliviado.

Mas no instante seguinte, seu coração voltou a ficar apreensivo.

Viu o homem no sofá se levantar, vestindo casualmente um casaco.

- Venha comigo ao hospital. - Disse Guilherme.

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