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Após divórcio, ex-marido implora por reconciliação todo dia romance Capítulo 427

- Estou elogiando sua nobreza, por que se incomoda?

Tatiana lançou um olhar de desdém para Guilherme, pálido como cera, sem demonstrar medo. Ela tinha coragem de o insultar mesmo quando foi sequestrada, por que teria medo agora de um louco que mal conseguia ficar de pé?

Guilherme sentiu uma onda de sangue subir à cabeça e lutou para se levantar.

Mas, assim que se endireitou, seu corpo caiu novamente como se tivesse perdido toda a estrutura óssea, a dor intensa deixou seu rosto ainda mais pálido.

Não parecia nada com os sintomas de uma febre, mas sim...

Nesse momento, Tatiana também percebeu algo estranho, especialmente depois que Guilherme se moveu um pouco e ela sentiu um leve cheiro de sangue no ar.

Ela se aproximou com uma expressão séria, levantou a mão para ver onde Guilherme estava sentado, mas antes que pudesse tocá-lo, ele a repeliu com um tapa.

- Fique longe de mim.

Sua voz era fraca, mas teimosa.

Tatiana olhou para ele com desgosto, seu rosto mostrou uma mistura de emoções.

- Não seja tão orgulhoso, você está sujo e fedido agora, você acha que eu quero te tocar?

Guilherme franziu a testa, seus olhos brilhavam ferozmente, como um animal selvagem à beira do perigo, ainda coberto de sangue, mas se mantendo pronto para lutar.

Tatiana apenas o observou rapidamente, percebendo sua postura defensiva, e de repente teve uma ideia.

Ela fingiu surpresa, exagerando:

- Você não vai pensar que eu faria algo com você, não é? Sério? Não olhe para o seu estado agora, além disso, mesmo se fosse o momento e o lugar certos, com alguém como você...

Suas palavras eram meio provocativas, meio zombeteiras.

Guilherme levou as provocações a sério. Irritado, ele tentou se sentar.

- O que há de errado com alguém como eu?

Mas a dor o puxou de volta, e ele só pôde encarar Tatiana com seus olhos raivosos.

Tatiana riu baixinho e disse:

- O que há de errado com você? Você não acha que está limpo, não é? Se não me engano, Carolina te diagnosticou com aquela doença no hospital, quem sabe o que mais você...

As palavras atingiram um ponto sensível, e Guilherme a interrompeu, furioso:

- Tatiana!

Tatiana se calou na hora certa, e lançou um olhar para o lugar onde Guilherme estava deitado.

Sob a luz fria da lua, se podia distinguir os traços sinuosos de marrom que pareciam já ter secado em alguns lugares, grudados no solo como uma pintura a óleo inacabada.

Dado que Guilherme vestia preto e, durante o dia, mal havia se movido, talvez tivesse se arrastado um pouco, mas ela estava fora buscando água, então naturalmente não sabia de outros ferimentos nele.

Agora, observando a quantidade de sangue no chão e a palidez do rosto de Guilherme, parecia que o ferimento não era leve.

Era impressionante ele suportar aquilo.

- Onde você se machucou? Como foi? É grave?

Guilherme fechou os olhos sem fazer um som.

Tatiana esperou um pouco, mas vendo o estado dele, decidiu não insistir mais.

Afinal, o ferimento não estava nela; e aquele homem merecia aquela dor.

Como dizia o ditado, a tristeza de um é a alegria de outro, e isso descrevia Tatiana naquele momento.

A tristeza de sentir saudades de casa deu lugar à alegria ao ver a condição lamentável de Guilherme.

Ela se sentiu bem e a sonolência a invadiu.

- A água está aqui. Se precisar de ajuda à noite ou se a dor for insuportável, se trate você mesmo. Vou dormir, não me perturbe. - Disse ela, e, puxando o blazer amarrotado para si, se cobriu com ele e realmente adormeceu, sem mais preocupações.

Ele não tinha força para chutar forte, mas tocava nela de vez em quando, irritante como um mosquito.

Após cerca de um minuto, Tatiana não aguentou mais e se sentou bruscamente.

- Não te disse para não me incomodar? A água está aí...

Sua fala foi interrompida abruptamente ao ver a ferida de Guilherme.

Ela nunca havia encarado diretamente um ferimento tão grave, uma visão horrível de carne exposta sob a luz amarelada da fogueira.

Provavelmente porque não tinha sido tratada durante todo o dia, a área ao redor da ferida já mostrava sinais de inflamação e pus, e algumas partes da pele já haviam mudado de cor, embora a luz fraca não permitisse uma visão clara.

Quando Tatiana havia se machucado no exterior, ela sabia que suas lesões eram graves, mas nunca tinha olhado diretamente para as feridas. No hospital, elas estavam bem cobertas com gaze e ela fechava os olhos quando as enfermeiras trocavam seus curativos. Quando finalmente removeram as bandagens, restavam apenas cicatrizes murchas como flores secas.

Mas aquele tipo de ferida crua e sangrenta ela nunca tinha visto.

Não havia tempo para ela se recompor emocionalmente. Tatiana logo se acalmou e adotou um tom de voz sério:

- O que você quer que eu faça?

Guilherme se apoiou para se sentar melhor e lançou subitamente uma adaga com a outra mão.

A adaga ecoou um leve tilintar contra as pedras, seguido pela voz incrivelmente fraca de Guilherme:

- Se suas mãos não estiverem tremendo, me ajude a remover a carne podre ao redor da ferida e depois lave ela com água. Se for possível, por favor, lave minha camisa, vou fazer um curativo simples.

Tatiana apertou os lábios, baixou o olhar para o pequeno punhal aos seus pés e silenciosamente o pegou.

A adaga foi retirada da bainha, brilhando com um frio lampejo sob a luz do fogo.

Segurando ela firmemente, Tatiana levantou o olhar friamente para Guilherme e perguntou:

- O que aconteceria se eu usasse esta faca para te esfaquear novamente na ferida?

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