Ouvindo a voz calma de Guilherme, o humor de Tatiana gradualmente se estabilizou naquele cenário desolado porém natural.
Um raio de luz atravessava o céu cinzento e nublado, e o brilho do sol nascente perfurava uma camada de nuvens escuras, caindo precisamente sobre o lago e refletindo um lampejo vermelho vibrante. Embora rapidamente ocultado pelas nuvens, aquele brilho dispersou completamente a sombra que envolvia sua cabeça.
Tatiana levantou os olhos para Guilherme e disse:
- Sr. Borges, você poderia me mover um pouco? Eu gostaria de ver a paisagem montanhosa do outro lado; aquela árvore à frente está bloqueando minha visão.
Guilherme se virou surpreso para ela.
- Você realmente tem um gosto refinado para querer apreciar a paisagem a esta hora.
Embora suas palavras fossem carregadas de sarcasmo, Guilherme não dificultou para Tatiana. Ele se inclinou para a pegar no colo e a mudou para um lugar com uma vista mais ampla.
- A vista daqui é boa, mas não se mova demais. Não há árvores aqui para te proteger, e se você cair, ninguém vai te salvar. Ouvi dizer que esse lago é assombrado por espíritos, até seu pai adotivo parou a construção do canteiro de obras por causa disso. Cuidado para não cair e ser devorado pelos espíritos.
- Agradeço sua preocupação, Sr. Borges.
Ela olhou para Guilherme brevemente antes de desviar a vista para a paisagem distante. Como era de manhã, uma névoa densa cobria as montanhas, obscurecendo parcialmente a vista. A superfície do lago também estava um pouco nebulosa, tornando a visão menos clara.
Apesar das ruínas de alguns prédios altos por perto, que adicionavam uma nota de desolação à cena montanhosa, a beleza do lugar era difícil de negar.
Ela observou por um momento, se sentindo mentalmente expandida e espiritualmente confortável.
Tatiana tinha visto uma frase na internet que dizia “Tudo acontece por uma razão, é tudo bom para mim”. Se dizia que, com sugestões mentais positivas diárias, uma pessoa se tornaria cada vez mais afortunada. Desde que Edu a encontrou e a levou de volta, ela manteve esse pensamento e guardou aquela frase no coração.
Agora, diante de toda aquela beleza, ela de repente se lembrou da frase que lhe trouxe sorte.
Tudo acontecia por uma razão, era tudo bom para ela.
Talvez ter sido sequestrada por Guilherme e levada para lá fosse justamente para admirar aquela paisagem maravilhosa.
Entre a névoa fina, montanhas verdes cercavam o cenário, e ela comtemplava a vista sem arrependimentos.
Tatiana piscou e fixou os olhos na paisagem montanhosa, sussurrando devagar, suas palavras se misturavam ao canto dos pássaros na montanha:
- O céu carregado de nuvens escuras, a chuva a caminho, a fumaça sinuosa sobre o lago, como se fossem ondulações luminosas. Os relâmpagos cortam o céu dolorosamente, e o som profundo do trovão avança com ímpeto, a loucura impera, prestes a fazer as montanhas colapsarem. Nesse momento, as portas do céu se abrem para a humanidade, a luz sagrada penetra as trevas iluminando todos os cantos, e o deus celestial, vestido com uma armadura de arco-íris, chega com o vento...
Suas palavras eram como um canto, e era até difícil entender seus murmúrios.
A voz parecia se dissipar na brisa, submergindo nas nuvens e na água do lago.
Guilherme a observava fixamente, sem desviar o olhar nem por um momento.
A mulher à sua frente não olhou para trás nem uma vez desde que mudou de posição.
Parecia que só tinha olhos para aquelas montanhas e águas.
Essas paisagens, seriam mais interessantes do que ele, um ser vivo?
Um sentimento inexplicável surgiu em seu peito, e ele disse sarcasticamente:
- A Srta. Taís realmente tem um gosto refinado, mesmo numa hora dessas, ainda tem ânimo para recitar poesias.
A linha de pensamento de Tatiana foi interrompida, mas não havia impaciência em seus olhos.
Ao contrário, seu espírito estava sereno, e seus olhos escuros pareciam mais luminosos.
Ela sorriu e voltou o olhar para o rosto de Guilherme.
- Como o Sr. Borges disse, já cheguei a este ponto, nem sei se depois de hoje, ou mesmo desta manhã, ainda estarei viva, então por que não aproveitar o último momento para desfrutar das belezas do mundo?
- Quem disse que você vai morrer? - Interrompeu Guilherme bruscamente. - Já lhe disse que garantirei sua segurança, não irei quebrar minha palavra, você não acredita em mim?
Em suas palavras, ainda havia uma ameaça velada.
- Eu disse para você se calar!
Guilherme se ajoelhou ao chão e agarrou a gola da camisa de Tatiana.
Pássaros alarmados voaram no meio da floresta.
Ao mesmo tempo, uma voz ansiosa soou não muito longe dos dois:
- Solte minha irmã!
O coração de Tatiana saltou ao ouvir a voz de Eduardo, e ela virou a cabeça para olhar na direção dele. Seu coração pareceu parar ao encontrar o olhar do seu irmão.
Ela apenas deu uma olhada, e seus olhos rapidamente se encheram de lágrimas.
Toda a calma forçada que ela mantinha, a seriedade que tentava exibir, e a leveza com que tentava desconsiderar tudo desapareceram no instante em que viu Edu.
De repente, Tatiana perdeu toda sua armadura, e só conseguia ver seu irmão e as lágrimas que caíam de seus olhos.
- Edu...
Com os olhos ainda marejados, ela também notou as pessoas que estavam ao lado de Eduardo.
Rafael, Lorenzo e Pedro...
Ela não imaginava que tantas pessoas estivessem preocupadas com ela.
- Essa isca realmente atraiu muitos peixes grandes, e todos vieram pessoalmente, que interessante.
Guilherme não deixou que eles tivessem um momento de reencontro fraterno. Assim que Eduardo apareceu, ele imediatamente levantou Tatiana do chão, tirou uma adaga e a colocou transversalmente no pescoço dela. Ele sussurrou:
- Vejo que a Srta. Taís é mais útil do que eu imaginava.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Após divórcio, ex-marido implora por reconciliação todo dia
Capítulo 535… Diz que o livro está cheio concluído, mas não está...
Por favor, continuem esse livro!...